Nova ferramenta reúne cinco milhões de registos históricos e apoia a estratégia da região para reforçar competitividade, exportações e criação de valor nos próximos anos.
Data+, estudo económico e novo plano estratégico apontam para mais competitividade, inovação e valorização internacional da região vitivinícola
Os Vinhos do Alentejo entraram numa nova fase de desenvolvimento estratégico com a apresentação da plataforma Data+, uma ferramenta de inteligência de mercado e rastreabilidade que reúne mais de cinco milhões de registos acumulados ao longo de décadas. A iniciativa foi acompanhada pela divulgação de um estudo sobre o impacto económico da fileira e pela apresentação do Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031, que define as prioridades do setor para os próximos anos.
Segundo a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), a nova plataforma foi concebida para reforçar a monitorização da atividade vitivinícola regional, disponibilizando informação detalhada sobre produção, castas, sub-regiões, mercados de exportação e evolução do setor ao longo de mais de 15 anos. A ferramenta centraliza um histórico de dados sem paralelo no panorama nacional, permitindo uma análise aprofundada da atividade desde 1989.
A Data+ surge como um instrumento destinado a apoiar produtores e agentes económicos na tomada de decisões estratégicas, através da disponibilização de informação permanentemente atualizada e organizada segundo diferentes critérios de análise.
A plataforma permite acompanhar tendências de mercado, monitorizar destinos de exportação, analisar o comportamento das diferentes sub-regiões e reforçar a transparência ao longo da cadeia de valor.
Para o presidente da CVRA, Luís Sequeira, esta ferramenta representa um passo importante para o futuro do setor.
“Esta aposta vai permitir aumentar o rigor e a transparência, ao mesmo tempo que auxilia os produtores na tomada de decisão estratégica, uma vez que existirá atualização regular da informação, dotando o setor de melhores ferramentas de gestão e acompanhamento da atividade”, afirmou.
A apresentação da plataforma foi acompanhada por um estudo desenvolvido pela Nova SBE para a CVRA, que quantifica o impacto económico da atividade vitivinícola alentejana.
De acordo com os resultados divulgados, os Vinhos do Alentejo geram mais de 1,45 mil milhões de euros para a economia portuguesa e contribuem com cerca de 673 milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
O estudo conclui ainda que a fileira:
- Sustenta mais de 21 mil postos de trabalho diretos;
- Gera aproximadamente 269 milhões de euros em remunerações;
- Contribui com cerca de 95 milhões de euros em receitas fiscais, através de IVA e IRS.
Os dados revelam igualmente o peso da região na produção nacional, representando cerca de 16,4% da produção portuguesa de vinho, 16,8% dos vinhos com Denominação de Origem Protegida (DOP) e 19% da produção nacional de vinho com Indicação Geográfica Protegida (IGP).
A nova fase do setor está enquadrada no Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031, documento que estabelece metas de crescimento e valorização para a próxima década.
Entre os principais objetivos definidos destaca-se o aumento de 41,1% do volume global de negócios até 2030, o que poderá traduzir-se num acréscimo estimado de 158,9 milhões de euros para a economia regional.
A estratégia assenta em seis áreas prioritárias:
- Controlo e fiscalização;
- Marketing e mercados;
- Enoturismo;
- Sustentabilidade;
- Viticultura e enologia;
- Investigação e desenvolvimento.
O plano prevê ainda reforçar a presença internacional dos vinhos alentejanos, aumentar o valor acrescentado dos produtos da região, expandir a atividade de enoturismo e aprofundar os investimentos em inovação, qualificação técnica e sustentabilidade.
O documento resulta de um processo de consulta que envolveu produtores, investigadores, especialistas e diversos agentes ligados ao setor. A visão apresentada pretende consolidar o posicionamento dos Vinhos do Alentejo nos mercados internacionais e reforçar o reconhecimento de uma das mais importantes regiões vitivinícolas portuguesas.
Com a conjugação entre dados, inovação tecnológica e planeamento estratégico, a região procura criar novas condições para aumentar a competitividade da fileira, melhorar a capacidade de resposta aos desafios do mercado e reforçar a criação de valor ao longo de toda a cadeia produtiva.
Augusta Serrano | Jornalista


