Início Alentejo Vinho no Alentejo cai 19% e Governo promete reforçar posição dos produtores

Vinho no Alentejo cai 19% e Governo promete reforçar posição dos produtores

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Região registou uma das maiores quebras de produção do país na campanha 2025/2026. Ministro da Agricultura e Mar garante que o Executivo está a avançar com novas ferramentas de controlo, rastreabilidade e apoio ao setor vitivinícola.

O setor do vinho atravessa um período de pressão em várias regiões portuguesas e o Alentejo está entre os territórios mais afetados pela quebra da produção. Na campanha 2025/2026, a região vitivinícola alentejana registou uma redução de 19% face à campanha anterior, segundo os dados oficiais do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).

A descida coloca o Alentejo entre as regiões com maiores quebras do país, apenas atrás do Douro, que recuou 34%, e próxima do Algarve, onde a redução atingiu 20%. No conjunto nacional, a produção ficou nos 5,9 milhões de hectolitros, menos 14% do que na campanha anterior.

É neste contexto que o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, garante que o Governo pretende reforçar a posição dos produtores na cadeia de valor.

Ministro da Agricultura

Em entrevista por escrito ao Dinheiro Vivo, o governante afirmou que o Executivo «nunca aceitou que o produtor continuasse a ser o elo mais frágil da cadeia», defendendo como prioridade o aumento do rendimento dos agricultores.

Alentejo já tinha desequilíbrio entre produção e vendas

As dificuldades do setor na região não surgem apenas com a quebra da última vindima.

O próprio IVV reconheceu oficialmente, em 2025, uma situação de «perturbação significativa e excecional» no mercado dos vinhos com Indicação Geográfica (IG) Alentejano, verificada ao longo dos três anos anteriores.

Segundo o aviso publicado pelo instituto, esta situação resultava do desequilíbrio entre produção e comercialização, agravado pela quebra das vendas e pela existência de elevados excedentes de stocks.

Perante esse cenário, foi adotada uma medida excecional para a campanha vitícola 2025/2026: os produtos com direito à IG Alentejano deixaram de poder incorporar uvas provenientes de fora da região. A alteração foi justificada com a necessidade de valorização da reputação e criação de valor para a indicação geográfica.

O Alentejo continua, simultaneamente, a ter um peso expressivo no setor vitivinícola nacional. Na campanha 2024/2025 foram produzidos na região cerca de 1,13 milhões de hectolitros, de acordo com os dados do IVV.

Governo anuncia mais controlo e rastreabilidade

Na entrevista ao Dinheiro Vivo, José Manuel Fernandes enumera várias medidas que, segundo o ministro, estão a ser desenvolvidas pelo Governo para responder aos problemas estruturais do setor.

Entre elas encontram-se o reforço da fiscalização pelo IVV, a harmonização dos cadastros do IVV, Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) e Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), assim como a modernização dos sistemas de recolha de dados.

O ministro refere igualmente a implementação de um novo sistema digital de rastreabilidade do vinho, destinado a acompanhar o produto desde a produção até ao consumo, e a criação de um Observatório do Vinho, vocacionado para a recolha e análise de informação sobre o setor.

A rastreabilidade assume particular importância numa região como o Alentejo, onde a certificação dos vinhos com Denominação de Origem Alentejo e Indicação Geográfica Alentejano implica já o controlo das vinhas, quantidades de uva colhidas, volumes produzidos e lotes colocados no mercado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).

Alterações climáticas também entram na estratégia

A adaptação às alterações climáticas é outra das áreas apontadas pelo governante.

José Manuel Fernandes afirma que está a ser desenvolvida uma estratégia que deverá articular inovação, eficiência hídrica e tecnologia, tendo em consideração as especificidades de cada região.

A questão tem particular atualidade depois de a campanha vitivinícola nacional ter sido condicionada pelas condições meteorológicas. O IVV identifica a precipitação intensa e as temperaturas amenas registadas na primavera, que favoreceram o desenvolvimento de doenças fúngicas, sobretudo o míldio, entre os fatores que contribuíram para a redução da produção em 2025/2026.

Setor exportou 954 milhões de euros em 2025

Na mesma entrevista, o ministro da Agricultura e Mar aponta 954 milhões de euros de exportações portuguesas de vinho em 2025 e afirma que foram mobilizados 15 milhões de euros em apoios diretos aos pequenos produtores e reforçada para 34 milhões de euros a promoção externa do setor. Estes valores são apresentados pelo governante na entrevista ao Dinheiro Vivo.

Os dados oficiais do IVV mostram, por outro lado, que em 2025 foram colocados no mercado, entre consumo interno e exportações, 726 milhões de litros de vinho, menos 3,1% do que no ano anterior. O vinho português aumentou 1,1%, enquanto o volume de vinho importado colocado no mercado recuou 18,4%.

Para o Alentejo, o desafio passa agora não apenas pela recuperação da produção depois da quebra de 19%, mas também pela valorização das uvas e do vinho produzido na região, num mercado que já tinha levado as entidades do setor a reconhecer oficialmente a existência de desequilíbrios entre produção, comercialização e stocks.

Augusta Serrano – Jornalista

Com informação do Dinheiro Vivo e dados do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).

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