Segunda-feira, Abril 20, 2026

Vale da Rosa aumenta produção e faturação em 2025 após PER e reforça estratégia com venda de uvas de outras origens

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Produtora portuguesa de uvas sem grainha avança com nova fase após aprovação do Processo Especial de Revitalização (PER) e entrada de investidores internacionais no capital.

A empresa Vale da Rosa, conhecida pela produção de uvas de mesa sem grainha, registou um aumento da produção e da faturação em 2025, num ano marcado pela aprovação do Processo Especial de Revitalização (PER) pelos credores, mecanismo que permitiu reestruturar a atividade e evitar a insolvência.

De acordo com o Jornal de Negócios, a empresa conseguiu aumentar a produção mesmo com uma área de cultivo menor, refletindo uma estratégia de maior eficiência produtiva e de otimização das explorações agrícolas.

Paralelamente, os novos investidores espanhóis decidiram alargar o modelo de negócio, avançando também para a comercialização de uvas provenientes de outras origens. A decisão surge após o final da campanha de produção em Portugal e pretende garantir disponibilidade de fruta ao longo de todo o ano, reforçando a presença da marca no mercado e assegurando maior estabilidade comercial.

Recorde-se que o plano de recuperação do Vale da Rosa foi aprovado pela maioria dos credores, incluindo instituições bancárias, que aceitaram um perdão de dívida de vários milhões de euros com o objetivo de permitir a continuidade da empresa fundada pelo comendador António Silvestre Ferreira, agora numa nova fase marcada pela entrada de capital espanhol.

O processo Especial de Revitalização (PER) teve o voto favorável de credores representando cerca de 92% da dívida do Vale da Rosa, excluindo abstenções. Entre os credores que aprovaram o plano encontram-se BCP, BPI e Crédito Agrícola, os principais bancos credores, de acordo com o processo consultado por aquele órgão de comunicação social.

Também a Autoridade Tributária e a Segurança Social deram aval ao plano, uma vez que não registam perdas financeiras no âmbito da reestruturação.

Por outro lado, Santander Totta, Caixa Geral de Depósitos (CGD) e Bankinter votaram contra as condições do PER, enquanto o Novobanco optou pela abstenção.

No âmbito da reestruturação e entrada de novos investidores, a sociedade J+Legal prestou assessoria jurídica ao fundo MCH Private Equity, através da sua participada Iberian Premium Fruits (IPF), em parceria com a empresa espanhola SanLucar Fruit, na aquisição do Grupo Vale da Rosa. A operação foi estruturada através de um financiamento-ponte com posterior conversão em capital. A família fundadora e o grupo português foram assessorados pela sociedade de advogados Uría Menéndez.

A transação foi notificada à Autoridade da Concorrência, que emitiu uma decisão de não oposição. A equipa da J+Legal, coordenada por José Diogo Horta Osório e Rui Bello da Silva, acompanhou todas as etapas do processo, incluindo o desenho estratégico do plano de reestruturação, a negociação com credores, o acompanhamento dos processos especiais de revitalização e a estruturação do acordo parassocial entre os investidores e a família fundadora.

Iberian Premium Fruits (IPF), detida pelo MCH Private Equity, opera no setor da produção e distribuição de citrinos premium e outras frutas, com presença em Espanha e na África do Sul. Já a SanLucar é uma empresa espanhola especializada na produção e distribuição de fruta fresca, com atividade na Europa, Tunísia, África do Sul e Equador.

Grupo Vale da Rosa, sediado em Portugal, dedica-se à produção e comercialização de uvas de mesa sem grainha, com destaque para a marca Vale da Rosa, uma das referências do setor agrícola nacional.

Segundo José Diogo Horta Osório, sócio da J+Legal responsável pela área de M&A, a operação envolveu soluções financeiras inovadoras aplicadas a um processo de reestruturação, com negociações exigentes com os credores e o objetivo de atrair investidores de referência para o setor agroalimentar.

Já Rui Bello da Silva, associado sénior, destacou que a transação demonstra o impacto que estruturas financeiras podem ter na revitalização de empresas nacionais, criando oportunidades para novos modelos de investimento e reforçando a atratividade do mercado português.

Augusta Serrano

Jornalista

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