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Universidade de Évora prepara candidatura após abertura do concurso para a Orquestra Regional do Alentejo.

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DGARTES disponibiliza 1,62 milhões de euros para criar uma estrutura musical com programação regular em todo o Alentejo

As associações culturais sem fins lucrativos com sede no Alentejo já podem apresentar candidaturas ao concurso promovido pela Direção-Geral das Artes (DGARTES) para a criação da futura Orquestra Regional do Alentejo. O período de candidaturas decorre até 9 de setembro, estando previsto um apoio financeiro global de 1,62 milhões de eurospara um período de dois anos.

A iniciativa pretende dotar a região de uma estrutura artística com programação regular, reforçando a oferta cultural e aproximando a música erudita das comunidades alentejanas através de uma atividade descentralizada.

De acordo com a DGARTES, o concurso tem como objetivo promover a valorização do património musical português, incentivar a divulgação da música erudita e estimular o diálogo desta com outras formas de expressão artística. O organismo considera igualmente prioritário ampliar o acesso da população à cultura e fortalecer a coesão territorial através de uma programação cultural consistente.

A medida enquadra-se nas linhas estratégicas da DGARTES para dinamizar o tecido artístico e cultural, promover a criação artística e contribuir para a valorização do património musical da região.

Podem candidatar-se ao apoio associações culturais sem fins lucrativos sediadas no Alentejo, sendo a criação da Orquestra Regional do Alentejo uma das iniciativas destinadas a reforçar a oferta cultural e artística do território.

Universidade de Évora prepara candidatura

Entretanto, a Universidade de Évora anunciou a intenção de apresentar uma candidatura ao concurso lançado pela DGARTES. O anúncio foi feito pelo vice-reitor para a Cultura e Sociedade, António Sáez Delgado, durante a sessão de esclarecimento realizada no Convento de São Bento de Cástris, em Évora, no passado dia 17 de julho.

Segundo o responsável, a universidade considera reunir condições para liderar o projeto por ser a única instituição pública de ensino superior do Alentejo com formação em música, através da sua Escola de Artes, bem como pela experiência acumulada nesta área.

Nas palavras de António Sáez Delgado, a instituição entende possuir legitimidade para assumir essa responsabilidade “por inerência, por conhecimento e por tradição”.

Projeto pretende envolver os 47 municípios

A proposta que a Universidade de Évora pretende desenvolver assume uma dimensão regional, procurando envolver a generalidade dos 47 municípios alentejanos numa estrutura comum, sem ligação exclusiva a qualquer sub-região, entidade ou personalidade.

“Queremos que seja a Orquestra do Alentejo para o Alentejo”, afirmou o vice-reitor, adiantando que vários municípios já demonstraram disponibilidade para integrar o projeto.

Também a associação Évora_27, responsável pela Capital Europeia da Cultura 2027, manifestou apoio à iniciativa, incentivando os municípios da região a unirem esforços para criar um legado cultural duradouro.

Prazo é considerado reduzido

Apesar do interesse demonstrado, a Universidade de Évora considera que o calendário previsto para apresentação das candidaturas poderá dificultar a construção de um projeto desta dimensão.

António Sáez Delgado revelou ter solicitado ao Ministério da Cultura o prolongamento do prazo atualmente fixado em 9 de setembro, argumentando que grande parte do período disponível coincide com o mês de agosto, o que poderá limitar a realização das negociações e dos acordos institucionais necessários.

O responsável defende que um projeto desta natureza exige uma ampla articulação entre as diferentes entidades envolvidas.

Colmatar uma lacuna histórica

O Alentejo permanece como a única região portuguesa sem uma orquestra regional de referência.

Durante a sessão realizada em Évora, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, reconheceu que a futura Orquestra Regional do Alentejo poderá responder a uma lacuna histórica da região, reforçando a oferta cultural e contribuindo igualmente para a criação de emprego qualificado num território marcado pelo despovoamento e pela saída de profissionais especializados.

Alentrium.pt continuará a acompanhar o desenvolvimento deste processo, desde a fase de candidaturas até à decisão final da DGARTES sobre a criação da futura Orquestra Regional do Alentejo.

Augusta Serrano – Jornalista

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