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Um Talego Cheio de Memórias: O Alentejo contado pelos tecidos, pelas mãos e pelo tempo

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Iniciativa reuniu testemunhos, saberes e memórias ligados à confeção destes objetos tradicionais, valorizando o papel das mulheres e a reutilização de materiais

O Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo acolheu, no passado sábado, a mesa-redonda «Onde está a oficina?», dedicada aos tradicionais talegos, também conhecidos como taleigos ou talegas, consoante as diferentes regiões do país. A iniciativa proporcionou um momento de partilha de conhecimentos, experiências e memórias associadas a esta prática artesanal de forte ligação ao quotidiano rural.

Durante a sessão, Joana Sofio apresentou o Movimento Democrático de Mulheres (MDM), dando a conhecer o projeto dedicado aos talegos e o trabalho desenvolvido na valorização deste património cultural.

Um dos momentos centrais do encontro foi protagonizado por Gertrudes Calção, que partilhou a sua experiência de vida ligada ao trabalho agrícola e à costura. Com naturalidade e conhecimento prático, explicou aos participantes como são confecionados os talegos, revelando técnicas, materiais e processos associados à sua produção.

Ao longo da conversa, foi destacada a importância do aproveitamento de tecidos usados que, apesar do tempo, permaneciam em bom estado para novas utilizações. O princípio do não desperdício surgiu como uma das marcas identitárias destes objetos, cuja diversidade de padrões e combinações de tecidos lhes confere uma forte dimensão estética e funcional.

Os participantes tiveram ainda oportunidade de conhecer os diferentes usos atribuídos aos talegos ao longo das décadas. Desde malas de viagem a sacos para transportar alimentos para o campo, estes objetos acompanharam gerações de mulheres e famílias, refletindo modos de vida marcados pela gestão cuidadosa dos recursos disponíveis.

Mais do que uma mesa-redonda, a iniciativa transformou-se numa verdadeira oficina da palavra e da memória, dando visibilidade à beleza dos talegos e reconhecendo o valor das mãos femininas que preservaram e transmitiram estes saberes ao longo do tempo.

A sessão reforçou a importância da salvaguarda das tradições populares e do património artesanal, promovendo a reflexão sobre práticas sustentáveis, reutilização de materiais e memória coletiva das comunidades.

Recorde-se que os tradicionais talegos, também conhecidos em algumas regiões como taleigos ou talegas, tiveram durante décadas uma presença constante no quotidiano das famílias alentejanas. Confecionados maioritariamente por mulheres, eram produzidos a partir de retalhos de tecido reaproveitados e utilizados para transportar pão, merendas, alimentos para o trabalho no campo ou pequenos bens pessoais. Para além da sua função prática, estes objetos tornaram-se expressão de criatividade e identidade familiar, através da combinação de tecidos, bordados e padrões únicos. Em muitas localidades do Alentejo, os talegos permaneceram como símbolo de uma cultura de aproveitamento dos recursos e de transmissão de saberes entre gerações.

Augusta Serrano | Jornalista

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Augusta Serrano é jornalista profissional, titular da Carteira Profissional de Jornalista n.º C 6988, com mais de 20 anos de experiência na área da comunicação social. Natural de Borba, tem desenvolvido a sua atividade jornalística com especial enfoque na atualidade política, cultural, turística e patrimonial, acompanhando temas de interesse regional e nacional e contribuindo para a divulgação de conteúdos informativos de relevância pública. Ao longo da sua carreira, exerceu funções como jornalista e diretora de um órgão de comunicação social, acumulando experiência na produção de notícias, coordenação editorial e gestão de projetos de informação digital. Atualmente, é diretora do Alentrium.pt, plataforma de publicações periódicas dedicada à informação, análise e divulgação de conteúdos nas áreas da Política, Cultura, Turismo, Património e desenvolvimento regional. Através do seu trabalho, promove a valorização dos territórios, da identidade cultural, da história e das potencialidades económicas e turísticas, com especial destaque para o Alentejo. A sua atividade profissional pauta-se pelo rigor jornalístico, independência editorial e compromisso com uma informação de qualidade, contribuindo para uma maior visibilidade dos temas que marcam a atualidade e o desenvolvimento do Alentejo.

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