Dados do Inquérito Nacional de Saúde mostram que 26,2% da população do Alentejo com 15 ou mais anos consumiu medicamentos não prescritos nas duas semanas anteriores à entrevista. A região ficou abaixo da média nacional, que atingiu 33,2%.
Mais de um em cada quatro residentes no Alentejo com 15 ou mais anos declarou ter tomado medicamentos sem prescrição médica em 2025. A proporção atingiu 26,2% na região, segundo os resultados do Inquérito Nacional de Saúde divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O valor coloca o Alentejo abaixo da média nacional. No conjunto do país, 33,2% da população com 15 ou mais anosreferiu ter consumido medicamentos não prescritos.
O indicador deve, contudo, ser lido à luz do período considerado pelo inquérito: os participantes foram questionados sobre o consumo de medicamentos nas duas semanas anteriores à entrevista. Os 26,2% registados no Alentejo não significam, por isso, que essa percentagem da população recorra habitualmente a medicamentos sem receita.
Entre as regiões destacadas pelo INE, o Algarve registou a proporção mais elevada, com 38,6%, seguido da Grande Lisboa, com 38%.
Apesar das diferenças regionais, o consumo de medicamentos prescritos foi superior ao de medicamentos não prescritos em todas as regiões do país.
Consumo sem prescrição atinge máximo entre os 35 e os 44 anos
Os resultados nacionais revelam também diferenças expressivas entre grupos etários.
A maior proporção de pessoas que declararam ter tomado medicamentos não prescritos foi registada entre os 35 e os 44 anos, com 40,4%.
No grupo dos 25 aos 34 anos, 38,6% dos inquiridos indicaram ter consumido medicamentos sem prescrição nas duas semanas anteriores à entrevista. Neste mesmo grupo etário, 33,9% referiram ter tomado medicamentos prescritos.
Os dados apontam, assim, para uma maior expressão do consumo sem prescrição entre segmentos mais jovens da população adulta.
Hipertensão e colesterol lideram medicação prescrita
O Inquérito Nacional de Saúde traça igualmente o perfil do consumo habitual de medicamentos prescritos em Portugal.
A hipertensão arterial surge como a doença mais associada a esse consumo, abrangendo 27% da população com 15 ou mais anos. Seguem-se os medicamentos destinados ao colesterol ou triglicéridos, utilizados por 24,4%.
O INE registou ainda consumo habitual de medicamentos para a insónia em 14,7% da população, para a ansiedade em 12,1% e para a depressão em 9,3%.
Idade condiciona recurso aos cuidados de saúde
As diferenças entre gerações estendem-se ao acesso e utilização dos serviços de saúde.
Mais de 80% da população idosa, sem escolaridade e reformada declarou ter realizado pelo menos uma consulta de medicina geral e familiar no último ano. Entre os jovens dos 15 aos 24 anos, a proporção foi de 56%.
Nas consultas de medicina dentária, a relação inverte-se. Mais de 70% dos jovens entre os 15 e os 24 anos consultaram um dentista no último ano, enquanto a proporção ficou abaixo dos 60% entre a população a partir dos 55 anos.
A escolaridade também diferencia o recurso a estes cuidados: 76,7% das pessoas com ensino superior realizaram uma consulta de medicina dentária no período analisado.
Inquérito abrangeu cerca de 22 mil alojamentos
O Inquérito Nacional de Saúde 2025 foi realizado pelo INE a partir de uma amostra representativa de cerca de 22 mil alojamentos em Portugal.
O estudo recolhe informação sobre o estado de saúde e doença da população, utilização de cuidados de saúde, consumo de medicamentos, comportamentos preventivos e outros determinantes relacionados com a saúde.
Os resultados revelam diferenças territoriais relevantes no consumo de medicamentos: embora 26,2% da população alentejana com 15 ou mais anos tenha declarado ter tomado medicamentos sem prescrição no período considerado, o Alentejo permaneceu abaixo da média nacional de 33,2%.
Augusta Serrano- jornalista
