Na conferência “Turismo é Portugal”, Marcelo Rebelo de Sousa destacou o papel identitário do turismo, os desafios da digitalização, da segurança internacional e da integração territorial. O portal Alentrium.pt acompanhou o evento no local.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, encerrou esta segunda-feira a conferência “Turismo é Portugal”, realizada no Tróia Design Hotel, com um discurso centrado na importância do turismo como fator estruturante da sociedade portuguesa. O evento foi promovido pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), em colaboração com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e com o apoio da Câmara Municipal de Grândola.
Durante a sua intervenção, o Presidente destacou que o turismo não deve ser encarado apenas como uma atividade económica, mas como uma expressão da identidade nacional.
“Turismo é Portugal. E não o contrário. Esta distinção é essencial: não somos um país que vive apenas do turismo, mas um país onde o turismo traduz o que somos e o que construímos”, afirmou.
Crises recentes e novos equilíbrios
Marcelo Rebelo de Sousa abordou o impacto da pandemia e da guerra na Europa como fatores que marcaram uma rutura nos ciclos turísticos tradicionais. Destacou o reforço da perceção de segurança como elemento decisivo na escolha dos destinos e a vantagem comparativa de Portugal nesse contexto.
“A pandemia foi uma paragem global. A guerra veio lembrar-nos a importância da estabilidade. Portugal surge hoje como destino seguro, com qualidade de vida e com confiança institucional”, referiu.
Evolução histórica e transformação do setor
No plano histórico, o Presidente percorreu a evolução do setor turístico nacional desde os anos 60 até ao século XXI, sublinhando que o turismo passou de fenómeno marginal a motor económico.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o século XXI representou uma transformação profunda: “O início do século marcou uma mudança impressionante. Novos mercados, novas exigências, novos protagonistas”.
Diversificação de mercados e novas residências
O aumento da procura por parte de mercados como os Estados Unidos, Canadá e países do Leste Europeu também foi assinalado. Para o Presidente, o fenómeno de residência de estrangeiros em Portugal traz vantagens, mas levanta desafios em áreas como habitação e coesão social.
“Há hoje comunidades estrangeiras que não só visitam como escolhem viver cá. Isso exige respostas equilibradas ao nível do ordenamento, do mercado imobiliário e da política fiscal”, alertou.
Digitalização, qualificação e simplificação
O Presidente da República reconheceu a importância da digitalização e da qualificação profissional para o futuro do setor. Apontou como exemplo positivo a atuação preventiva de Portugal no contexto do Brexit, através de acordos bilaterais.
Defendeu ainda uma administração pública mais eficiente: “É necessário simplificar. É necessário antecipar. O turismo exige rapidez de resposta e estruturas adaptadas à sua dinâmica”.
Coesão territorial e valorização do interior
Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda a descentralização da atividade turística e o crescimento do setor em territórios do interior.
“Hoje qualquer município pode ter vocação turística. A diferenciação territorial é uma oportunidade e um desafio”, referiu, defendendo uma abordagem que privilegie a sustentabilidade e a qualidade da experiência turística.
Um setor com papel civilizacional
No encerramento da conferência, o Presidente reforçou o papel do turismo como instrumento de afirmação cultural e de relação com o mundo.
“Turismo é Portugal porque representa a nossa história, os nossos valores e a nossa forma de estar. É uma atividade que exige visão estratégica e compromisso coletivo”, concluiu.
O portal Alentrium.pt acompanhou o evento e registou os principais momentos e declarações do chefe de Estado, num discurso que colocou o turismo no centro das prioridades nacionais.


