Terça-feira, Julho 14, 2026

“Temos no Alentejo potencial para atrair visitantes durante todo o ano”, afirma investigadora da Universidade de Évora.

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Investigação da Universidade de Évora aponta crescimento do interesse por sustentabilidade, gastronomia e turismo de aprendizagem na região

Um novo estudo desenvolvido pela Universidade de Évora para a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo revela alterações significativas no perfil dos visitantes da região face ao último levantamento realizado em 2011. A investigação aponta para um turista mais atento à sustentabilidade, mais interessado em experiências ligadas à aprendizagem e com maior valorização da gastronomia enquanto fator distintivo do território. 

O Alentrium.pt esteve presente na apresentação do estudo e falou com Joana Lima, docente e investigadora da Universidade de Évora, integrada no CIDEHUS e membro da coordenação científica do observatório para o turismo sustentável no Alentejo. A coordenação do trabalho foi partilhada com Jaime Serra, Rosário Borges e Noemi Marujo. 

Segundo Joana Lima, uma das maiores surpresas da equipa de investigação esteve relacionada com a crescente valorização da certificação sustentável por parte dos visitantes com maior capacidade de despesa.

“Surpreendeu-nos o facto de termos segmentos altos já preocupados com a questão da certificação. É um esforço que tem sido feito pelo destino e verificámos que os visitantes com posicionamento de despesa mais elevado valorizam efetivamente isso”, afirmou. 

A investigadora destacou ainda o peso crescente da gastronomia como motivação principal para visitar o Alentejo, contrariando aquilo que habitualmente é observado em muitos estudos científicos ligados ao turismo.

“Normalmente a gastronomia surge como uma motivação secundária, mas aqui já aparece como motivação principal para muitos visitantes e integra o top cinco das características que mais distinguem o Alentejo”, explicou. 

Outro dos aspetos identificados prende-se com a procura de experiências ligadas à aprendizagem e ao conhecimento do território. O estudo indica que muitos visitantes procuram experiências “restauradoras”, mas também cognitivas, associadas à descoberta cultural e patrimonial da região.

Para Joana Lima, esta tendência pode abrir novas oportunidades ao desenvolvimento do chamado turismo criativo.

“Vemos que há espaço para trabalhar mais esta dimensão do turismo criativo, o que pode potenciar a atração de públicos com níveis de despesa mais elevados”, referiu. 

O estudo identifica também alguns pontos menos positivos ao nível da satisfação dos visitantes, nomeadamente questões relacionadas com instalações sanitárias públicas, estacionamento e informação disponibilizada nos postos de turismo.

“Os atributos com menor grau de satisfação pertencem sobretudo à esfera pública. Isso deixa-nos a ideia de que o destino precisa de continuar a investir nestas áreas, não apenas para os visitantes, mas também para os residentes”, sublinhou a investigadora. 

Durante a apresentação, foi igualmente destacado o crescimento do turismo de segmento premium no interior alentejano. Apesar da perceção frequente de que o turismo de luxo se concentra sobretudo no litoral e na Costa Vicentina, o estudo mostra uma realidade mais equilibrada.

Segundo Joana Lima, o interior do Alentejo surge igualmente valorizado devido ao património, segurança e oferta diferenciada de alojamento.

“Existe também uma concentração na zona de Beja, onde já encontramos unidades direcionadas para segmentos de luxo. O interior está claramente a ser valorizado por esse tipo de visitante”, afirmou. 

A responsável destacou ainda a importância da população local na experiência turística, considerando o acolhimento um dos fatores diferenciadores da região.

Ler também: Novo estudo revela mudança no perfil do turista do Alentejo: estadias mais longas e maior capacidade de consumo

Como mensagem final aos agentes turísticos e à região, Joana Lima defendeu a continuidade da aposta na sustentabilidade e na preservação da paisagem e património.

“O estudo mostra que o Alentejo tem potencial para atrair vários tipos de visitantes em diferentes épocas do ano. Quem aposta na sustentabilidade está também a investir no futuro do destino e na preservação daquele que é o atributo mais valorizado: a paisagem e os elementos patrimoniais e naturais”, concluiu. 

Augusta Serrano | Jornalista

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