Sábado, Junho 13, 2026

“Temos condições para estar ao nível dos melhores do mundo”: Alentejo reforça posição internacional no enoturismo

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Vice-presidente da CCDR Alentejo destaca ao Alentrium.pt o reconhecimento internacional da região durante a cimeira mundial de enoturismo realizada em Beja

A cidade de Beja foi palco da Global Summit da Global Wine Tourism Organization (GWTO), um dos mais relevantes encontros internacionais dedicados ao enoturismo e à gastronomia, que terminou a 3 de junho após reunir representantes de 15 países, cerca de 70 oradores internacionais e centenas de participantes ligados aos setores do vinho, turismo e gastronomia.

Integrada na programação da Capital Europeia do Vinho 2026, distinção atribuída ao Baixo Alentejo, a iniciativa colocou a região no centro das atenções do setor a nível global, promovendo o debate sobre inovação, sustentabilidade, qualificação e desenvolvimento económico associado ao vinho e ao turismo.

Organizada pela GWTO em parceria com a Turismo do Alentejo e Ribatejo, a cimeira reuniu empresários, investigadores, académicos, operadores turísticos, decisores políticos e representantes institucionais de vários continentes, consolidando a afirmação do Alentejo como um dos territórios emergentes no panorama internacional do enoturismo.

Alentrium.pt acompanhou o primeiro dia dos trabalhos e falou, em exclusivo, com Aníbal Costa, vice-presidente da CCDR Alentejo, que considerou a realização da cimeira em Beja um reconhecimento do percurso desenvolvido pela região nas últimas décadas.

“Receber uma cimeira mundial desta dimensão no Alentejo é motivo de enorme satisfação. É, acima de tudo, um reconhecimento do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por produtores, empresários, entidades públicas e pela própria Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. Significa que o mundo olha hoje para o Alentejo como um território com capacidade para afirmar-se entre os melhores destinos de enoturismo”, afirmou.

Para o responsável, a escolha de Beja para acolher o encontro representa igualmente um sinal de confiança no potencial de crescimento da região.

“Temos condições para estar ao nível do que melhor se faz no mundo. O Alentejo continua a ter uma margem de progressão muito significativa e esta cimeira demonstra que existe um reconhecimento internacional do caminho que tem sido percorrido”, sublinhou.

Conhecimento e qualificação impulsionam crescimento

Aníbal Costa destacou também o papel desempenhado pelas instituições de ensino superior na evolução do setor, apontando o contributo da Universidade de Évora, do Instituto Politécnico de Portalegre e do Instituto Politécnico de Beja para a qualificação dos recursos humanos e para a investigação aplicada ao turismo e ao vinho.

Segundo o vice-presidente da CCDR Alentejo, a articulação entre empresas, instituições de ensino e entidades públicas tem sido determinante para a consolidação de um setor que gera cada vez mais riqueza na região.

“O enoturismo conseguiu criar uma ligação muito forte entre o vinho, a cultura, a gastronomia, a paisagem e os produtos locais. Essa integração tem permitido gerar valor acrescentado e criar novas oportunidades para a economia regional”,referiu.

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De setor quase inexistente a referência internacional

Durante a conversa com o Alentrium.pt, Aníbal Costa recordou a profunda transformação vivida pelo setor nas últimas décadas.

“Há cerca de 20 ou 30 anos existia produção de vinho, mas não havia a valorização turística nem a estratégia que hoje conhecemos. Em relativamente pouco tempo, o setor conseguiu evoluir para níveis que o colocam na discussão internacional entre os melhores exemplos de enoturismo”, destacou.

Na sua perspetiva, poucos setores económicos registaram uma evolução tão rápida.

“O crescimento foi extraordinário. A dinâmica criada pelos produtores, pelos operadores turísticos e pelas entidades regionais permitiu alcançar resultados muito expressivos num curto espaço de tempo”, acrescentou.

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Falta de mão de obra é desafio para o futuro

Apesar do crescimento sustentado, a cimeira evidenciou alguns desafios que continuam a preocupar os agentes do setor.

Entre eles está a dificuldade em recrutar profissionais qualificados para responder às exigências crescentes das empresas ligadas ao vinho e ao turismo.

“Foi um dos temas abordados durante os trabalhos da cimeira. A dificuldade em encontrar mão de obra demonstra precisamente o ritmo acelerado de crescimento que o setor está a viver. É um desafio que exige uma resposta concertada para garantir a continuidade desta evolução positiva”, afirmou.

Qualidade é a principal vantagem competitiva do Alentejo

Ao longo dos vários painéis da Global Summit da GWTO, a palavra “qualidade” surgiu repetidamente como um dos fatores decisivos para o futuro do território.

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Aníbal Costa partilha dessa visão e considera que essa deve continuar a ser a principal estratégia do Alentejo.

“Não competimos pela dimensão, competimos pela qualidade. É isso que acontece com os vinhos, com o azeite e com muitos dos produtos que distinguem a nossa região. É através da excelência que conseguimos afirmar-nos nos mercados internacionais”, defendeu.

O responsável considera que tanto o setor vitivinícola como o olivícola beneficiaram da capacidade de incorporar rapidamente conhecimento, tecnologia e inovação desenvolvidos nas principais regiões produtoras do mundo.

“Conseguimos absorver as melhores práticas internacionais e aplicá-las com sucesso no nosso território. Isso permitiu-nos acelerar etapas e atingir níveis de qualidade muito elevados. Hoje, essa é uma das maiores vantagens competitivas do Alentejo”, concluiu.

A Global Summit da GWTO encerrou a 3 de junho, deixando em evidência o crescente protagonismo do Alentejo no panorama internacional do vinho e do turismo. A realização da cimeira em Beja constituiu um dos momentos mais relevantes da programação da Capital Europeia do Vinho 2026, reforçando a notoriedade da região junto de especialistas, investidores e operadores turísticos de vários países.

Augusta Serrano | Jornalista

Augusta Serrano

Jornalista

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