Em declarações ao Alentrium.pt, o presidente da EDIA sublinha que a Aldeia da Luz reúne condições únicas para atrair população, investimento e dinamização económica, apontando o Alqueva como fator estruturante.
O passadiço da Aldeia da Luz, na freguesia da Luz, concelho de Mourão, foi inaugurado este sábado, após a conclusão de uma intervenção de requalificação promovida pelo Município de Mourão, em articulação com a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de valorização do território envolvente ao Alqueva, procurando reforçar a atratividade da aldeia e potenciar a sua ligação ao turismo e ao património local. Paralelamente, foi assinado um contrato de comodato entre o município e a EDIA, considerado pelas entidades envolvidas como um passo relevante para a comunidade.

O acordo prevê a reabilitação e dinamização do Monte dos Pássaros, um espaço com valor histórico e identitário, que passará a ser gerido pelo município com o objetivo de criar novas valências e reforçar a sua utilização pela população e visitantes.
O Alentrium.pt esteve no local e falou com o presidente da EDIA, José Carlos Salema, que enquadrou o momento no contexto mais amplo da história da Aldeia da Luz.
“Foi um processo muito marcante. Todos os portugueses ouviram falar da Aldeia da Luz, desde a decisão sobre manter ou não a antiga aldeia até à construção de uma nova. Foi um processo difícil, com momentos traumáticos, como a trasladação do cemitério, que deixaram marcas que não desaparecem, embora se atenuem com o tempo.”
O responsável destacou que, apesar desse passado, a nova aldeia apresenta hoje condições únicas no contexto regional.
“Esta é hoje uma aldeia ribeirinha, junto ao Grande Lago, com equipamentos que muitas outras localidades gostariam de ter. Falta-lhe ainda mais vida, mais presença de pessoas, mas isso não pode ser imposto. Tem de acontecer naturalmente.”
José Carlos Salema sublinhou ainda o potencial do território para gerar novas oportunidades, nomeadamente através do turismo e da valorização dos recursos locais.
“Temos aqui um lago extraordinário, um passadiço com cerca de 900 metros agora recuperado, um monte alentejano preservado e um museu premiado a poucos metros. Este é um conjunto de ativos que constitui uma oportunidade real de desenvolvimento.”
Segundo o presidente da EDIA, a criação de condições para fixação de população continua dependente de fatores estruturais, como o acesso a habitação e emprego, embora considere que o território reúne condições para atrair investimento.
“As oportunidades podem ser procuradas ou criadas. Acreditamos que este território vai ser descoberto e que, com o tempo, surgirão mais atividades económicas, emprego e fixação de diferentes gerações.”

Relativamente ao contrato de comodato, explicou que o Monte dos Pássaros integra um conjunto de áreas remanescentes da propriedade adquirida no âmbito da construção da nova aldeia.
“Este monte foi preservado como forma de manter a memória do passado, com a sua estrutura original. Até agora tinha uma utilização pontual, mas entendemos que pode ter uma função mais dinâmica. O município manifestou essa intenção e considerámos que fazia todo o sentido avançar.”
A expectativa é que o espaço venha a assumir-se como um novo polo de atração, contribuindo para a dinamização económica e social da Aldeia da Luz.
Também a requalificação do passadiço se insere nesta lógica de valorização das infraestruturas existentes.
“O papel da EDIA tem sido criar condições para o desenvolvimento do território. Depois, a dinâmica depende das pessoas, das empresas e da capacidade de atrair visitantes. Acreditamos que, com mais presença e utilização, essas oportunidades vão surgir.”
Ler também: “Estamos a criar várias infraestruturas para afirmar a Aldeia da Luz como polo de atração”
A intervenção agora concluída reforça, assim, a aposta na valorização do património, na promoção turística e na criação de condições para o desenvolvimento sustentável da Aldeia da Luz, num território marcado pela transformação associada ao projeto do Alqueva.
Artigo com reportagem no terreno de Augusta Serrano
Jornalista


