Segunda-feira, Agosto 10, 2026

Sines reforça candidatura à Gigafábrica de IA com investimento de 400 milhões de euros e mais de 60 empresas envolvidas

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Portugal prepara, em parceria com Espanha, a candidatura a uma das sete Gigafábricas de Inteligência Artificial da União Europeia. O projeto prevê um investimento total de 400 milhões de euros e poderá posicionar Sines como um dos principais polos europeus de computação para IA. 

Sines pode tornar-se um dos maiores centros europeus de Inteligência Artificial (IA), caso a candidatura conjunta de Portugal e Espanha seja selecionada pela União Europeia para acolher uma das sete Gigafábricas de IA previstas no programa europeu. O projeto conta com um investimento global de 400 milhões de euros, dos quais metade será assegurada por fundos nacionais.

O Governo português já comprometeu 200 milhões de euros para apoiar a futura infraestrutura. No entanto, esse montante não será aplicado através de uma participação acionista do Estado na entidade gestora da Gigafábrica. Em vez disso, o apoio será concretizado através da aquisição de capacidade de computação, que ficará disponível para empresas, startups, universidades, centros de investigação e organismos da Administração Pública desenvolverem soluções avançadas de Inteligência Artificial. 

O esclarecimento foi prestado pelo Ministério da Reforma do Estado ao ECO, na sequência da abertura oficial do concurso europeu, lançada pela Comissão Europeia no final de junho. Aos 200 milhões de euros de financiamento nacional juntam-se outros 200 milhões provenientes da União Europeia, elevando o investimento potencial para 400 milhões de euros, caso a candidatura portuguesa seja aprovada. 

Portugal e Espanha mantêm candidatura conjunta

Segundo o Governo, continuam a decorrer contactos políticos e técnicos entre Lisboa e Madrid para preparar uma candidatura conjunta, considerada de natureza paritária. O objetivo passa por submeter a proposta até 12 de novembro de 2026, mantendo o compromisso assumido pelos primeiros-ministros Luís Montenegro e Pedro Sánchez de desenvolver um projeto ibérico em condições de igualdade. 

Paralelamente, têm igualmente existido contactos com a Comissão Europeia e com a Empresa Comum EuroHPC para assegurar o cumprimento dos requisitos técnicos e regulamentares definidos no concurso europeu. 

Estado será cliente da infraestrutura

O Governo sublinha que a contribuição financeira portuguesa não representa um financiamento direto da construção da Gigafábrica nem implica qualquer participação no capital da entidade gestora.

Na prática, o Estado reservará antecipadamente parte da capacidade de computação produzida pela infraestrutura, funcionando como cliente da futura Gigafábrica e disponibilizando esses recursos ao ecossistema nacional de inovação e investigação. 

Este modelo procura criar um “cliente âncora”, garantindo receitas previsíveis que reduzam o risco para os investidores privados e facilitem o financiamento da infraestrutura ao longo de vários anos. 

Mais de 60 empresas já integram o consórcio

O Banco Português de Fomento lidera a mobilização do consórcio privado responsável pela candidatura portuguesa. De acordo com o Ministério da Reforma do Estado, mais de 60 empresas nacionais e internacionais já aderiram ao projeto AI Gigafactory Portugal, demonstrando a capacidade de mobilização do setor empresarial e tecnológico. 

Segundo a tutela, este envolvimento contribui para afirmar a candidatura nacional como uma das mais sólidas no contexto europeu.

Infraestrutura poderá colocar Sines na linha da frente da IA europeia

O concurso europeu prevê que uma Gigafábrica de IA disponha inicialmente de cerca de 40 mil processadores avançados, podendo evoluir posteriormente para uma capacidade próxima dos 100 mil processadores, destinada ao treino e utilização de modelos avançados de Inteligência Artificial. 

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O Governo garante ainda que o objetivo português continua a ser acolher uma Gigafábrica de grande dimensão em Sines, rejeitando o cenário de apenas instalar um centro de menor escala associado a outro Estado-membro. Caso seja aprovada, a candidatura pretende transformar Portugal num dos principais polos europeus de IA soberana, desenvolvido em parceria com Espanha. 

Augusta Serrano – Jornalista

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