Segunda-feira, Abril 20, 2026

“Sem cultura e sem ciência não há desenvolvimento”: Prémio Terras sem Sombra reúne 260 participantes em Santiago do Cacém

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Cerimónia destacou a importância da culturabiodiversidade e coesão territorial, com reflexões sobre os desafios atuais e o futuro da sociedade

A cerimónia de entrega do Prémio Internacional Terras sem Sombra (TSS) 2026 decorreu a 28 de março, no Auditório Municipal António Chainho, em Santiago do Cacém, reunindo cerca de 260 participantes num momento de partilha e reflexão sobre território, cultura, ambiente e sociedade.

A iniciativa distinguiu personalidades em várias áreas — Música, Património, Biodiversidade, Serviço à Comunidade/Cooperação Internacional e Sons sem Sombra/Novos Talentos — promovendo um espaço de diálogo em torno dos desafios contemporâneos e das perspetivas de futuro.

Presidindo à cerimónia, a infanta D. Maria Francisca de Bragança sublinhou a ligação ao Alentejo e a relevância de aproximar estas iniciativas das novas gerações. «Há que criar proximidade e viver estes momentos, porque acredito que estar presente faz a diferença. Há que valorizar a beleza», afirmou, destacando ainda a importância de conhecer as raízes e fortalecer a identidade coletiva.

Em comunicado enviado à nossa Redação, O presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Bruno Gonçalves Pereira, assinalou o regresso do festival ao concelho, descrevendo-o como uma «terra que respira cultura» e defendendo que o investimento em cultura, biodiversidade e música representa uma aposta no futuro.

Já o diretor-geral do festival, José António Falcão, alertou para as desigualdades entre áreas metropolitanas e territórios de baixa densidade, criticando a existência de «cidadãos de primeira e de segunda». Defendeu o reforço do investimento público e sublinhou o impacto dessas assimetrias em setores como a educação, saúde e mobilidade, sobretudo entre os mais jovens. «Sem cultura e sem ciência, não há nenhuma espécie de desenvolvimento sustentável», afirmou, acrescentando que o festival procura contribuir para um território mais coeso e acessível.

Na categoria de Música, o pianista espanhol Josep Maria Colom foi distinguido, tendo sido descrito como «um homem discreto que fala com o coração e que nos escuta», numa evocação de Julio Morán. O premiado referiu que a distinção assume «elevado significado», destacando o reconhecimento da instituição.

Na área do Património, Carolino Tapadejo foi homenageado, com o jornalista Fernando Alves a caracterizá-lo como «um discreto herói português», recordando o seu papel na defesa do território e na preservação da memória histórica, nomeadamente em Castelo de Vide. Ao receber o prémio, Tapadejo partilhou a distinção com figuras marcantes da sua terra e com a diáspora local.

Na categoria de Biodiversidade, a investigadora Lauriane Mouysset foi distinguida pelo seu trabalho na interseção entre economia, ecologia e filosofia. A premiada alertou para a complexidade da crise ambiental, afirmando que «pequenas alterações humanas sobre os territórios conduzem a impactos tremendos» e defendendo a necessidade de repensar a relação entre sociedade e sistemas naturais. Sublinhou ainda que «a ciência não tem género».

O prémio de Serviço à Comunidade/Cooperação Internacional foi atribuído ao diplomata checo Martin Pohl, cuja atuação foi destacada como essencial num contexto de instabilidade global. O economista José Nunes Liberato referiu a importância de valorizar a diplomacia, considerando-a determinante para a construção de pontes entre países. O premiado destacou o caráter singular do festival e a sua ligação ao Alentejo.

Na categoria Sons sem Sombra/Novos Talentos, foi distinguida a jovem acordeonista francesa Judith Tahan, nascida em 2007. O seu percurso foi apresentado como exemplo de dedicação e excelência, com destaque para a participação em concursos internacionais e apresentações como solista. A artista sublinhou o papel do trabalho e do apoio familiar no seu percurso, valorizando também o potencial expressivo do acordeão.

Instituído em 2011, o Prémio Internacional Terras sem Sombra reconhece personalidades e instituições que contribuem para os valores promovidos pelo festival, cruzando arte, património e sustentabilidade.

A edição de 2026 decorre até dezembro, sob o tema “Alegres Campos, Verdes Arvoredos”: Música e Biosfera (Da Idade Média à Criação Contemporânea). A próxima etapa está marcada para 18 e 19 de abril, em Ferreira do Alentejo, com destaque para o concerto “O Carnaval dos Animais”, de Camille Saint-Saëns, no Lagar do Marmelo.

Augusta Serrano | Jornalista

Augusta Serrano

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