Presidente da AHRESP, Carlos Moura, afirma ao Alentrium.pt que a gastronomia terá um papel reforçado em Évora 2027 e anuncia novas iniciativas para promover os produtos e empresários da região
Alandroal, 29 de junho – O Castelo do Alandroal foi palco de uma nova edição do Restaurante ao Vivo, iniciativa promovida pela AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, com o apoio da Câmara Municipal do Alandroal. O encontro reuniu chefs de cozinha, empresários, produtores, fornecedores e parceiros num dia dedicado à gastronomia, à inovação e à valorização dos produtos endógenos do Alentejo.
Ao longo do evento realizaram-se demonstrações culinárias ao vivo, provas gastronómicas e momentos de partilha entre profissionais do setor. O Alentrium.pt acompanhou a iniciativa e entrevistou, em exclusivo, o presidente da AHRESP, Carlos Moura, que explicou a aposta da associação no Alentejo e revelou novas ações previstas para a região.

“A AHRESP tem de estar onde estão as empresas”
Carlos Moura começou por justificar a escolha do Alandroal para receber esta edição do Restaurante ao Vivo, deixando um agradecimento ao presidente da Câmara Municipal, João Grilo, pela disponibilidade demonstrada desde o primeiro contacto.
Para o dirigente, a missão da associação passa por estar junto das empresas, sobretudo num setor composto maioritariamente por pequenas estruturas.
“A restauração é um setor muito frágil. Cerca de 91% das empresas são microempresas e estão espalhadas por todo o território nacional. A nossa obrigação é estar ao lado delas, ajudá-las a crescer e contribuir para que sejam sustentáveis.”
Recordando que a AHRESP está presente em 25 locais físicos do país, com equipas próprias, Carlos Moura sublinhou que o Alentejo ocupa um lugar de destaque no plano de atividades da associação.

“Queremos promover aquilo que nasce na terra”
Segundo o presidente da AHRESP, o Restaurante ao Vivo foi concebido com três objetivos muito claros.
O primeiro consiste em valorizar os produtos regionais e afirmar a identidade gastronómica dos territórios.
“Queremos promover aquilo que é da terra, desde as ervas aromáticas aos queijos, passando pelos vinhos e por todos os produtos locais. É importante mostrar o percurso do prado ao prato e dar visibilidade à riqueza das regiões.”
O segundo objetivo passa pelo reconhecimento dos empresários da restauração.
“Quem arrisca todos os dias e trabalha de sol a sol merece ser homenageado. São empresários de enorme resiliência, que sustentam uma parte importante da economia local.”
Já o terceiro dirige-se aos profissionais da cozinha.
“Sem bons profissionais não temos empresas, não temos gastronomia e não temos turismo. São eles que transformam os produtos da terra em experiências que atraem visitantes.”

Três grandes iniciativas da AHRESP no Alentejo
Durante a entrevista, Carlos Moura revelou que a associação realizará este ano três iniciativas de referência na região.
Além do Restaurante ao Vivo, realizado no Alandroal, está prevista a Plataforma Nacional da Pastelaria, em Évora, e o Dia Nacional da Gastronomia, que decorrerá a 27 de julho, em Arronches, tendo como produto em destaque o porco alentejano.
“Queremos continuar a descentralizar as nossas iniciativas e levar os grandes eventos nacionais aos territórios. O Alentejo merece esse reconhecimento.”
“Évora 2027 tem de dar mais espaço à gastronomia”
Questionado pelo Alentrium.pt sobre Évora – Capital Europeia da Cultura 2027, Carlos Moura revelou ter defendido um reforço da componente gastronómica no plano de atividades da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, da qual integra a Comissão Executiva.
“Disse ao presidente José Manuel Santos que era necessário aumentar o peso da gastronomia. Cultura e gastronomia caminham lado a lado e não faria sentido desperdiçar essa oportunidade.”
Segundo explicou, o plano aprovado contempla agora um reforço das iniciativas ligadas à gastronomia, à doçaria tradicional, à pastelaria, ao enoturismo e à promoção dos produtos regionais.
“Vamos estar presentes em vários eventos durante 2027. Será um ano muito importante para afirmar o Alentejo também através da sua cozinha.”

“O vinho continua a ser um dos maiores embaixadores do Alentejo”
O presidente da AHRESP abordou ainda a evolução do consumo de vinho na restauração, reconhecendo uma quebra generalizada no mercado, embora salientando que o Alentejo tem conseguido contrariar parcialmente essa tendência.
“Temos de incentivar o consumo moderado do vinho. Felizmente, o Alentejo continua a afirmar-se pela qualidade dos seus vinhos e isso representa uma enorme oportunidade para o turismo.”
Carlos Moura considera que gastronomia e enoturismo devem continuar a crescer em conjunto.
“Cada refeição pode ser uma experiência completa. A gastronomia, os vinhos e os produtos locais são hoje um dos grandes fatores de diferenciação do destino Alentejo.”

Um modelo para continuar
No final da entrevista, o dirigente admitiu que o formato do Restaurante ao Vivo poderá chegar a outros concelhos alentejanos, reforçando a proximidade entre chefs, produtores, empresários e consumidores.
“Queremos continuar a levar este modelo a diferentes regiões. Sempre que promovemos os produtos locais, estamos também a promover as pessoas, as empresas e o futuro do território.”
O Restaurante ao Vivo voltou assim a afirmar-se como um espaço de encontro entre inovação gastronómica, valorização dos produtos regionais e promoção do Alentejo, reforçando a importância da restauração enquanto motor da economia e do turismo.
Augusta Serrano – Jornalista


