Presidente da CCDR Alentejo destaca a importância estratégica do certame, a aposta no ordenamento do território, na habitação e na captação de investimento
A Feira de São João 2026 continua a decorrer em Évora, consolidando-se, uma vez mais, como um dos maiores acontecimentos populares do Alentejo. Inaugurado na passada terça-feira, 23 de junho, o certame reúne, ao longo de quase duas semanas, dezenas de expositores, concertos, iniciativas culturais, gastronomia, desporto e animação, numa edição dedicada ao tema «Évora: Capital Europeia ao Sul».
O Alentrium.pt esteve presente na inauguração oficial e falou com o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro, que destacou a importância histórica e estratégica da Feira de São João para a região e para a Euroregião Alentejo-Extremadura.
Segundo Ricardo Pinheiro, a Feira de São João representa um dos momentos mais marcantes das celebrações populares realizadas nesta zona da Península Ibérica.
“A Feira de São João, aliás o São João em Évora, é um ícone absolutamente marcante relativamente ao posicionamento das festividades relacionadas com São João na Euroregião Alentejo-Extremadura.”
O responsável considera que a edição deste ano apresenta uma renovação significativa, destacando a forma como o certame alia a dimensão cultural a temas estruturantes para o desenvolvimento do território.
“Évora este ano rejuvenesce de uma forma absolutamente espetacular a forma como se apresenta aqui. A área de apresentação do Plano de Urbanização de Évora, em conjunto com uma forte componente cultural, parece-me particularmente importante.”
Ricardo Pinheiro enquadrou esta aposta no momento em que o Alentejo prepara o futuro Plano Regional de Ordenamento do Território, defendendo uma visão estratégica para responder aos desafios da região.

Entre esses desafios apontou, em primeiro lugar, a falta de habitação.
“É preciso estarmos completamente focados na forma como projetamos o Alentejo na sua dimensão mais estratégica, respondendo a um desafio enorme que é a falta de habitação na região.”
O presidente da CCDR destacou igualmente a necessidade de criar condições para atrair investimento e concretizar projetos previstos ao nível nacional, nomeadamente na área da energia.
“Temos de responder à atração de investimento e à concretização de muitos dos investimentos inscritos no Plano Nacional de Energia e Clima, acompanhando aquilo que são os desafios energéticos do país.”
Durante a entrevista ao Alentrium.pt, Ricardo Pinheiro sublinhou ainda que a CCDR do Alentejo atua em articulação com o Governo da República, defendendo que existe alinhamento na aplicação dos fundos comunitários e nas estratégias de desenvolvimento regional.
Segundo afirmou, algumas críticas decorrem de interpretações incorretas sobre o funcionamento da instituição.
“Às vezes geram-se confusões onde elas não têm razão de existir. É importante existir uma maior cultura sobre os fundos comunitários e sobre a forma como a CCDR trabalha completamente alinhada com os desafios definidos pelo Governo.”
Como exemplo, referiu decisões tomadas em sede de Comissão Interministerial relativamente à gestão dos programas financiados por fundos europeus.
No final da conversa, Ricardo Pinheiro salientou que eventos como a Feira de São João permitem reforçar a proximidade entre as instituições e os cidadãos.
“O São João permite-nos aproximar do território, perceber de que forma somos capazes de entender a dimensão cultural, estar próximos das pessoas e construir políticas públicas em função dos grandes desafios do Alentejo.”
A Feira de São João 2026 prossegue nos próximos dias com um programa diversificado que inclui espetáculos, exposições, atividades económicas, iniciativas culturais, desportivas e espaços dedicados à inovação e ao desenvolvimento regional, mantendo-se como um dos principais pontos de encontro da população alentejana e dos visitantes que passam por Évora.
Augusta Serrano – jornalista


