Quarta-feira, Setembro 16, 2026

Repsol dá passo decisivo para colocar em operação duas novas fábricas de 830 milhões em Sines

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Projeto ALBA entra esta quarta-feira numa nova fase com a entrega do Título Digital de Exploração Industrial. As duas fábricas acrescentam 600 mil toneladas anuais de capacidade de produção de polímeros e deverão entrar em operação no final de 2026.

A Repsol dá esta quarta-feira, 2 de setembro, um dos últimos passos administrativos para colocar em operação as duas novas fábricas de polímeros construídas no Complexo Industrial de Sines, um investimento que a empresa avalia agora em 830 milhões de euros.

Título Digital de Exploração Industrial das duas unidades do Projeto ALBA será entregue às 11h00, no complexo da Repsol, numa cerimónia com a participação do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro.

A atribuição do título permite o exercício da atividade industrial e constitui, assim, uma etapa determinante no processo que antecede a entrada em funcionamento das novas unidades.

Segundo informação prestada pela Repsol à agência Lusa, a entrada em operação está agora prevista para o final de 2026.

Investimento sobe de 657 para 830 milhões de euros

O valor agora indicado pela Repsol representa uma atualização significativa face ao montante inicialmente associado ao Projeto ALBA.

Em outubro de 2021, quando foi assinado o contrato de investimento entre o Governo português e a Repsol Polímeros, o projeto estava avaliado em 657 milhões de euros, com incentivos fiscais previstos até 63 milhões de euros.

A própria informação institucional da Repsol, atualizada em março de 2026, continua a apresentar os 657 milhões de euros como investimento na expansão do Complexo Industrial de Sines.

Questionada pela Lusa sobre o valor final do Projeto ALBA, a empresa indicou agora que o investimento ascende a 830 milhões de euros, aplicado na construção das duas novas fábricas.

A diferença representa um acréscimo de 173 milhões de euros, cerca de 26% relativamente ao montante inicialmente anunciado.

Duas fábricas acrescentam 600 mil toneladas de capacidade

O Projeto ALBA contempla uma nova fábrica de polipropileno e outra de polietileno linear de baixa densidade, cada uma com capacidade para produzir cerca de 300 mil toneladas por ano.

Em conjunto, as duas unidades acrescentam ao Complexo Industrial de Sines uma capacidade de produção de 600 mil toneladas anuais de polímeros.

De acordo com a Repsol, os materiais produzidos serão 100% recicláveis e destinados a aplicações especializadas em setores como as indústrias farmacêutica, automóvel e agroalimentar.

A expansão ocupa cerca de 38 novos hectares, adjacentes ao complexo industrial existente, e foi reconhecida pelo Governo como Projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN).

Projeto já criou 100 empregos diretos permanentes

A dimensão do investimento refletiu-se também no emprego durante a construção das novas unidades.

Segundo os dados agora transmitidos pela Repsol à Lusa, houve períodos em que os trabalhos do Projeto ALBA mobilizaram 1.300 trabalhadores.

Para assegurar o funcionamento das duas fábricas, a empresa afirma ter já criado 100 postos de trabalho diretos permanentes e cerca de 300 empregos indiretos.

Os números atualizam as estimativas conhecidas na fase inicial do investimento, quando estava prevista a criação de aproximadamente 75 postos de trabalho diretos e cerca de 300 indiretos.

Ferrovia e Porto de Sines integram nova logística

A expansão do complexo industrial vai além das duas unidades produtivas.

O Projeto ALBA inclui uma nova plataforma para armazenamento e expedição do polipropileno e do polietileno produzidos em Sines e contempla a reativação do ramal ferroviário existente no interior do complexo.

A solução permitirá combinar o transporte ferroviário com a ligação ao Porto de Sines, reforçando uma logística multimodal orientada para a distribuição da produção e para a ligação aos mercados europeus.

O projeto inclui ainda novas infraestruturas e interligações necessárias ao funcionamento das unidades, bem como soluções destinadas a aumentar a eficiência energética do complexo. A Repsol prevê integrar autoconsumo de energia fotovoltaica e hidrogénio produzido por eletrólise.

Entrada em funcionamento foi adiada para 2026

A calendarização do Projeto ALBA sofreu alterações desde o anúncio inicial.

Quando o investimento foi apresentado, a previsão apontava para a entrada em funcionamento das novas fábricas em 2025. A Repsol reviu posteriormente esse calendário e passou a indicar 2026 como o ano de entrada em operação.

A informação agora transmitida pela empresa à Lusa concretiza a previsão para o final deste ano.

As obras de expansão arrancaram em março de 2023, depois de a Declaração de Impacte Ambiental favorável ao Projeto ALBA ter sido emitida nesse mesmo mês.

Com a entrega do Título Digital de Exploração Industrial esta quarta-feira, o investimento de 830 milhões de eurosaproxima-se da fase operacional, acrescentando ao polo industrial de Sines capacidade para produzir mais 600 mil toneladas de polímeros por ano.

Foto: Repsol

Augusta Serrano – Jornalista

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