A EN120 entre Alcácer do Sal e Lagos oferece uma alternativa à autoestrada, atravessando a costa alentejana e algarvia com paisagens naturais, vilas históricas e um percurso pensado para ser vivido sem pressa
Viajar entre o Alentejo e o Algarve nem sempre significa recorrer à autoestrada e enfrentar portagens. Existe uma alternativa mais lenta, mas também mais rica em paisagem e descoberta: a Estrada Nacional 120 (EN120), uma via que percorre alguns dos cenários mais preservados do litoral português e transforma o próprio trajeto numa experiência de viagem.
Segundo informação divulgada pelo Ekonomista, esta estrada nacional continua a ser uma escolha para quem prefere viajar com tempo, valorizando o percurso e não apenas o destino final. Ao longo de cerca de 170 quilómetros, a EN120 estabelece a ligação entre Alcácer do Sal e Lagos, cruzando zonas de forte valor natural e patrimonial.
Apesar de ter perdido protagonismo com o crescimento das vias rápidas e das autoestradas, a estrada mantém uma identidade própria e continua a ser procurada por viajantes que privilegiam o contacto com a paisagem e a autenticidade das localidades por onde passa.
Ao contrário da lógica da autoestrada, onde o objetivo principal é chegar rapidamente ao destino, na EN120 o ritmo muda. A viagem passa a ser feita em pequenas etapas, com espaço para parar, observar e explorar.
Cada troço revela mudanças de paisagem constantes, desde campos abertos e montado alentejano até zonas costeiras marcadas pelo Atlântico, falésias e pequenas localidades que mantêm um ritmo próprio.
A estrada atravessa algumas das áreas mais preservadas da costa portuguesa, permitindo uma ligação entre regiões que se faz também através da cultura, da gastronomia e da identidade local.
Mais do que uma simples alternativa sem portagens, a EN120 assume-se como um percurso que convida a abrandar e a olhar em volta, devolvendo à viagem um valor que muitas vezes se perde nas vias rápidas.
Ao longo dos anos, a estrada foi perdendo importância estratégica com a modernização das infraestruturas rodoviárias. Ainda assim, continua a conservar grande parte do seu traçado original e a sua função de ligação entre territórios.
Esse carácter contínuo reforça a sensação de percurso e de descoberta progressiva, algo que dificilmente se encontra nas autoestradas modernas.
Para muitos condutores, esta continua a ser uma rota onde o destino começa antes da chegada — uma estrada que faz da viagem parte essencial da experiência.
Fonte: Ekonomista
Por Augusta Serrano – Jornalista


