Está em desenvolvimento em Abela, no concelho de Santiago do Cacém, aquela que se apresenta como a primeira aldeia regenerativa da Europa a ser financiada por tokens digitais. O projeto, denominado Traditional Dream Factory (TDF), combina sustentabilidade ambiental, tecnologia e vida comunitária, transformando uma antiga fábrica de aves num espaço habitacional e colaborativo.
Iniciado em 2021, o projeto já angariou 400 mil euros através da venda de tokens $TDF, sendo cada unidade comercializada a 242 euros. Para dar continuidade à segunda fase da construção, a iniciativa pretende reunir mais um milhão de euros. O financiamento digital tem sido aplicado na instalação de diversas infraestruturas, incluindo áreas de alojamento, espaços de convívio e equipamentos sustentáveis.
O plano inclui a construção de 14 suites, uma piscina natural e um restaurante farm-to-table, com conclusão prevista para o próximo ano. A estas estruturas juntar-se-ão 23 habitações, complementando as tendas glamping, zonas de caravanismo, cozinha industrial, sauna, espaços de coworking e áreas para eventos já existentes.
Em paralelo, têm sido implementadas soluções de gestão ecológica, como sistemas de retenção e reaproveitamento de água da chuva, filtragem de águas cinzentas para irrigação e um reservatório com 1,2 milhões de litros de capacidade. Desde o início, foram plantadas mais de duas mil árvores e criadas áreas agroflorestais, com vista à recuperação dos ecossistemas e do ciclo hidrológico local.
A aldeia recebeu até ao momento cerca de três mil visitantes, muitos dos quais envolvidos em atividades práticas como agricultura regenerativa e construção sustentável. Os detentores dos tokens $TDF usufruem do espaço mediante o pagamento apenas de custos operacionais, enquanto o valor para outros visitantes varia entre 15 e 90 euros por noite, conforme o tipo de alojamento.
O público-alvo abrange nómadas digitais, profissionais remotos, artistas, investigadores e famílias interessadas em novas formas de vida comunitária, ecoturismo e gestão regenerativa da terra. A TDF procura atrair utilizadores ligados ao setor das criptomoedas e às finanças regenerativas (ReFi), promovendo o uso da tecnologia blockchaincomo ferramenta de coordenação ecológica.
A vertente tecnológica do projeto inclui a utilização do Open Forest Protocol e de análise de biodiversidade com eDNA, com o objetivo de monitorizar dados ecológicos em tempo real. Estão também a ser testados modelos de inteligência artificial para apoiar a gestão de recursos e infraestruturas regenerativas.
A TDF opera como uma Organização Autónoma Descentralizada (DAO), através da associação OASA, criada na Suíça em 2022. A escolha do país prendeu-se com o reconhecimento legal das DAOs e da tecnologia blockchain, permitindo implementar um modelo cooperativo de gestão da terra centrado na regeneração ambiental.
Portugal foi escolhido para acolher este protótipo europeu devido à combinação de paisagens naturais, contexto cultural, potencial de revitalização rural e presença de comunidades ecológicas inovadoras. A OASA apoia também projetos semelhantes em curso no Egito e na Suécia.
Foto: C.M Santiago do Cacem


