Presidente da CCDR Alentejo defendeu, em declarações ao Alentrium.pt, a concretização de uma ligação entre as bacias do Tejo e do Guadiana, considerando-a necessária para garantir a resiliência da agricultura na região. Declarações à margem da inauguração da Rede de Rega do Xévora, em Campo Maior.
A Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, em Campo Maior, foi inaugurada numa cerimónia que assinalou a concretização de um projeto iniciado há cerca de 25 anos.

À margem da inauguração, o presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, falou ao Alentrium.pt sobre o percurso do projeto e abordou a questão das transferências de água entre bacias hidrográficas.
“O Alentejo não pode ter vergonha de dizer a palavra transvases”, afirmou.
Questionado pelo Alentrium.pt sobre a concretização de um projeto que acompanhou em diferentes funções ao longo dos anos, Ricardo Pinheiro recordou o trabalho desenvolvido até à entrada em funcionamento da infraestrutura.
O presidente da CCDR Alentejo considerou “absolutamente obrigatório” que projetos como o do Xévora, iniciado há cerca de 25 anos e que, segundo referiu, envolveu o trabalho de muitas pessoas, cheguem à fase de concretização.
Ricardo Pinheiro defende ligação entre Tejo e Guadiana
Nas afirmou ainda, ao Alentrium.pt, Ricardo Pinheiro alargou a sua intervenção à gestão dos recursos hídricos e recuperou uma posição que afirmou ter defendido enquanto exerceu funções na Assembleia da República.
“Durante muitos anos, fundamentalmente no Parlamento, trabalhei muito para que o transvase entre o Tejo e o Guadiana pudesse acontecer”, declarou.
O presidente da CCDR Alentejo referiu também as transferências de água a partir de Alqueva e enquadrou a matéria na estratégia “Água que Une”.
Referiu que “30 milhões de metros cúbicos, mais 30 milhões de metros cúbicos” que, segundo afirmou, Alqueva deverá ceder, defendendo que esta questão deve ser “objeto de um repensar”.
Ricardo Pinheiro voltou depois à possibilidade de ligação entre as bacias do Tejo e do Guadiana, relacionando diretamente essa solução com a atividade agrícola no Alentejo.
“É fundamental que o transvase entre o Tejo e o Guadiana possa acontecer para que continuemos a garantir a resiliência da agricultura no Alentejo.”
A defesa do transvase Tejo–Guadiana é, assim, uma posição expressa pelo presidente da CCDR Alentejo, no contexto das declarações prestadas durante a inauguração da nova infraestrutura de regadio em Campo Maior.
Investimento global ronda os 25 milhões de euros
A inauguração da Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora contou com a presença do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, da vice-presidente da CCDR Alentejo, Helena Costa Cavaco, responsável pelo pelouro da Agricultura, e de diversas entidades regionais e locais.
A infraestrutura representa um investimento superior a 18,9 milhões de euros, financiado pelo PDR2020, e está inserida num investimento global de cerca de 25 milhões de euros.
A nova rede permitirá disponibilizar água para rega em cerca de 1.560 hectares de área agrícola.
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A entrada em funcionamento da infraestrutura ocorre cerca de 25 anos depois do início do processo referido durante a cerimónia. Nas declarações recolhidas pelo Alentrium.pt, Ricardo Pinheiro associou a concretização do Xévora à defesa de uma discussão mais abrangente sobre transferências de água entre bacias, reiterando a sua posição favorável a uma ligação entre o Tejo e o Guadiana.
Augusta Serrano – Jornalista


