Terça-feira, Julho 14, 2026

“Prejuízos de milhões exigem resposta célere à tesouraria das empresas agrícolas”, alerta Roberto.

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Em declarações exclusivas ao Alentrium.pt, o vice-presidente da CCDR Alentejo defende medidas rápidas para responder aos prejuízos de milhões causados pelas intempéries na agricultura de Odemira, com foco imediato na tesouraria das empresas afetadas.

O vice-presidente da CCDR AlentejoRoberto Grilo, visitou várias explorações agrícolas do concelho de Odemira para avaliar no terreno os impactos provocados pelas recentes intempéries, que causaram danos significativos no setor agrícola e na economia local.

A deslocação teve como objetivo obter uma perceção direta da dimensão das perdas, numa fase em que a CCDR Alentejo está a recolher informação detalhada junto dos agricultores afetados, essencial para adequar os mecanismos de apoio à realidade observada. Em declarações ao alentrium.pt, Roberto Grilo explicou que a decisão de se deslocar ao terreno resultou dos sucessivos alertas recebidos pelos serviços regionais.

“Face às manifestações de prejuízos que fomos recebendo, às imagens e aos relatos que chegaram aos serviços, entendi que era fundamental ir ao local para ter uma verdadeira perceção da dimensão da tragédia que se abateu sobre este território, à semelhança do que aconteceu noutras zonas do país, embora aqui com impactos particularmente severos”, afirmou.

No local, o responsável encontrou um cenário de forte destruição, sobretudo nas áreas de produção em estufa. “O que encontrei, sobretudo na área das estufas e da produção hortícola, foi uma devastação completa: estruturas destruídas, sistemas de rega danificados, túneis e estufas comprometidos e produções que estavam prontas a ser colhidas e que se perderam por completo”, relatou.

Segundo Roberto Grilo, os prejuízos variam de exploração para exploração, mas atingem valores muito elevados. “Estamos a falar de prejuízos de muitos milhões de euros. Em algumas empresas, os danos são praticamente totais. Vi no terreno explorações onde não foram apenas as estruturas afetadas, mas também as próprias plantas e a produção que já não será possível recuperar”, sublinhou.

Entre os exemplos visitados, destacou a situação da Maravilha Farms. “No caso concreto da Maravilha Farms, a situação é de uma devastação enorme, disse, acrescentando que também na Vitacress os danos são muito significativos, embora com diferenças consoante a localização e o tipo de estruturas existentes. “Cada empresa apresenta níveis de prejuízo distintos, mas há muito prejuízo naquela zona, resumiu.

O vice-presidente da CCDR Alentejo alertou ainda para o peso estratégico do setor agrícola naquele território. “Estamos a falar de um setor com um peso económico muito significativo, não apenas para o Alentejo, mas para o Produto Interno Bruto nacional, além da importância que assume ao nível da empregabilidade, afirmou, defendendo uma atenção especial às empresas afetadas.

Questionado sobre eventuais impactos no emprego, Roberto Grilo adiantou que não existe, para já, indicação de despedimentos diretos. “Neste momento, não temos indicação de perda direta de postos de trabalho. Pelo contrário, os trabalhadores estão a ser necessários para remover as estruturas danificadas, limpar o material destruído e iniciar o processo de reposição da capacidade produtiva, explicou. Admitiu, no entanto, que possa haver atrasos em contratações que estivessem previstas, sem prever um impacto significativo no emprego já existente.

Relativamente às medidas já anunciadas pelo Governo e pelo Ministério da Agricultura, o responsável considerou que houve uma resposta célere. “Os instrumentos disponíveis foram acionados com rapidez, sobretudo nos territórios em situação de calamidade, onde as manifestações de prejuízo são automaticamente transformadas em candidaturas”, referiu.

Ainda assim, Roberto Grilo defendeu a necessidade de ajustamentos, sobretudo numa fase inicial. “O que pode ser necessário é adequar alguns instrumentos, sobretudo para responder a problemas imediatos de tesouraria das empresas. Não se trata de falta de meios, mas de garantir respostas mais rápidas numa fase muito crítica”, afirmou.

O responsável sublinhou que o levantamento de danos ainda está em curso e que só após essa fase será possível avaliar a suficiência das dotações disponíveis. “À medida que os reportes forem concluídos, será possível perceber se as dotações existentes são suficientes ou se será necessário reforçar os apoios. Neste momento, seria prematuro tirar conclusões”, concluiu.

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