A Extremadura levou ao encontro com o Governo português as dúvidas sobre financiamento e calendário da Ponte Internacional do Sever. Dias depois de ter sido reafirmado em Nisa o mês de outubro para o arranque da construção, uma aliança transfronteiriça critica a ausência de uma data após a reunião em Lisboa.
A futura Ponte Internacional sobre o rio Sever, entre Cedillo, na Extremadura, e Montalvão, no concelho de Nisa, voltou ao centro das relações transfronteiriças entre Portugal e Espanha depois de a reunião realizada esta semana, em Lisboa, não ter produzido uma confirmação pública do calendário para o início das obras.
A questão assume particular importância para o Alto Alentejo porque, apenas alguns dias antes, numa reunião de acompanhamento realizada em Nisa, tinha sido novamente apontado outubro como horizonte para o arranque da construção.
A reunião de Lisboa, realizada a 2 de setembro, juntou o conselheiro das Infraestruturas, Transportes e Habitação da Junta da Extremadura, Francisco José Ramírez, e responsáveis do Ministério das Infraestruturas e Habitação português, no âmbito da coordenação bilateral das infraestruturas entre os dois países.
A Ponte do Sever estava entre os assuntos que a Extremadura pretendia esclarecer no encontro.
Antes da deslocação a Lisboa, Francisco José Ramírez tinha afirmado que esperava obter respostas de Portugal sobre a forma de financiamento, os prazos e o calendário previsto para a execução da componente portuguesa da infraestrutura.
Outubro tinha sido reafirmado em Nisa
A ausência de uma confirmação pública após a reunião contrasta com a expectativa criada no final de agosto.
A 27 de agosto, o presidente da Diputación de Cáceres, Miguel Ángel Morales, participou na Câmara Municipal de Nisa numa reunião de acompanhamento da Ponte Internacional do Sever.
Segundo a informação oficial divulgada pela instituição espanhola, nesse encontro foi novamente confirmado outubro como horizonte para o início da construção da ponte.
A infraestrutura pretende criar uma nova ligação permanente entre Cedillo e Montalvão, reforçando as acessibilidades entre a província de Cáceres e o distrito de Portalegre.
Aliança transfronteiriça critica ausência de uma data
Depois da reunião de Lisboa, a Aliança Territorial Europeia (ATE) Norte da Extremadura–Beira Baixa veio manifestar descontentamento com os resultados do encontro entre as autoridades portuguesas e espanholas.
A organização considera que não foram assumidos compromissos suficientemente concretos sobre várias infraestruturas fronteiriças e refere expressamente a inexistência de uma data para as obras da Ponte Internacional de Cedillo.
A posição surge num comunicado em que a ATE defende melhores acessibilidades entre a província de Cáceres, a Beira Baixa e o Alto Alentejo, reclamando maior rapidez na concretização dos projetos transfronteiriços.
A declaração da organização não significa, por si só, que o horizonte de outubro tenha sido abandonado. Significa, porém, que a reunião de Lisboa não produziu uma confirmação pública dessa data, deixando por esclarecer se o calendário reafirmado em Nisa continua válido.
Extremadura já tinha pedido esclarecimentos a Portugal
As dúvidas sobre a componente portuguesa da obra não são novas.
Em agosto, o conselheiro Francisco José Ramírez reconheceu publicamente que a Extremadura pretendia obter em Lisboa esclarecimentos sobre os planos portugueses para a execução da ponte.
O responsável indicou então que a Junta da Extremadura dispõe no orçamento deste ano da verba necessária para executar a componente espanhola da infraestrutura, remetendo para Portugal as questões relativas ao financiamento e ao calendário dos trabalhos do lado português.
A reunião de 2 de setembro era, por isso, encarada pela Extremadura como uma oportunidade para esclarecer essas incógnitas.
Nova ligação entre o Alto Alentejo e a Extremadura
A Ponte Internacional do Sever é considerada estratégica para melhorar as ligações entre Nisa e Cedillo, numa zona da fronteira onde as deslocações rodoviárias são atualmente condicionadas pela ausência de uma travessia permanente adequada.
O projeto pretende aproximar o Alto Alentejo e a Extremadura, reduzindo distâncias e criando novas condições para a mobilidade das populações, turismo, atividade económica e cooperação entre os dois territórios.
Depois de outubro ter sido novamente apontado em Nisa para o início da construção, a atenção fica agora centrada na posição das autoridades portuguesas.
A questão que permanece por esclarecer é se o calendário anunciado no final de agosto se mantém e se as obras da Ponte Internacional do Sever poderão efetivamente arrancar durante o próximo mês.
Augusta Serrano-Jornalista


