O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) manifestou, este domingo, preocupação com a significativa redução do número de alunos colocados no ensino superior, alertando para as consequências mais graves nas instituições localizadas no interior do país.
De acordo com os dados da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso, foram colocados 43.899 estudantes, menos 9.046 face a 2024, uma descida de 12,1%. No caso dos institutos politécnicos, cerca de 14 mil alunos obtiveram colocação, o que representa uma quebra acentuada e uma taxa de colocação de apenas 63%.
“Esta tendência revela uma litoralização crescente do ensino superior. As instituições do interior veem a sua sustentabilidade posta em causa e isso agrava as assimetrias regionais já existentes”, afirmou Maria José Fernandes, presidente do CCISP.
A responsável destaca ainda que os dados não surpreendem, sublinhando que o CCISP já tinha alertado para os efeitos da atual configuração do modelo de acesso.
“Ao aumentar o peso das provas específicas e ao reduzir a importância do percurso no ensino secundário, criaram-se obstáculos adicionais. Isso afasta, sobretudo, os estudantes provenientes de contextos mais desfavorecidos, cujas famílias não têm capacidade para investir em preparação para exames”, referiu Maria José Fernandes.
O CCISP identifica ainda outros fatores que agravam a situação, como os custos elevados com alojamento e a quebra demográfica, especialmente acentuada nas regiões do interior.
“Os politécnicos estão a cumprir o seu papel na formação superior e na coesão do território. No entanto, precisam de condições que garantam o acesso equitativo para todos os jovens, independentemente da sua origem geográfica ou condição económica”, concluiu.
Face a este cenário, o CCISP apela à revisão urgente das regras de acesso ao ensino superior, propondo a sua implementação já no próximo ano letivo.


