Quarta-feira, Outubro 7, 2026

Passe de 20 euros acaba com uma barreira para quem chega do Alentejo a Lisboa de comboio

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Passe Ferroviário Verde passou este domingo a abranger os comboios urbanos da CP em Lisboa e no Porto. Passageiros que chegam de fora das áreas metropolitanas deixam de ter de acumular títulos ferroviários para completar a viagem. Fertagus também está prevista no novo regime, mas a aplicação ainda está a ser operacionalizada.

O Passe Ferroviário Verde, que custa 20 euros por 30 dias, passou este domingo, 27 de setembro, a poder ser utilizado nos serviços urbanos da CP em Lisboa e no Porto, eliminando uma das limitações que afetava passageiros provenientes de territórios exteriores às áreas metropolitanas.

A alteração tem particular relevância para quem parte do Alentejo em direção a Lisboa e utiliza exclusivamente serviços ferroviários abrangidos pelo passe, uma vez que passa a ser possível prosseguir a deslocação na rede urbana da CP sem adquirir outro título ferroviário para essa parte da viagem.

O alargamento resulta da alteração ao regime do Passe Ferroviário Verde, inicialmente criado em 2024. Segundo o Ministério das Infraestruturas e Habitação, a medida pretende simplificar os títulos de transporte, sobretudo para passageiros que chegam às áreas metropolitanas a partir de outros pontos do país.

Até agora, o Passe Ferroviário Verde apenas abrangia, nos serviços urbanos de Lisboa e Porto, os troços que não estavam incluídos nos passes intermodais metropolitanos.

Esta limitação significava que determinados passageiros provenientes do exterior das áreas metropolitanas podiam ter de combinar o Passe Ferroviário Verde com outro título para completar a deslocação ferroviária dentro de Lisboa ou do Porto.

Com as novas regras, essa descontinuidade deixa de existir nos serviços urbanos da CP.

Para um passageiro proveniente do Alentejo com destino a uma estação servida pela rede urbana da CP em Lisboa, isto significa que, desde que todo o percurso seja realizado em serviços abrangidos pelo Passe Ferroviário Verde, o mesmo título pode acompanhar a deslocação até ao destino.

A medida não substitui, contudo, os passes intermodais para quem necessita de utilizar outros meios de transporte, como metro ou autocarro.

O preço do Passe Ferroviário Verde mantém-se nos 20 euros por 30 dias.

O título permite utilizar os serviços Regionais e InterRegionais, bem como os comboios Intercidades em 2.ª classe, sujeitos a reserva prévia de lugar, passando agora a ter uma utilização mais ampla nos serviços urbanos da CP em Lisboa e Porto.

O Alfa Pendular continua excluído, assim como a 1.ª classe dos Intercidades.

Criado em outubro de 2024, o Passe Ferroviário Verde já contabiliza 1,4 milhões de títulos vendidos, de acordo com dados divulgados pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação.

O novo regime prevê também o alargamento do Passe Ferroviário Verde à Fertagus, responsável pelo serviço ferroviário que atravessa a Ponte 25 de Abril e liga Lisboa à margem sul do Tejo.

A utilização do passe nesta operação, porém, ainda está a ser operacionalizada.

O Ministério das Infraestruturas e Habitação indica que a concretização do alargamento à Fertagus será anunciada posteriormente, não estando, por isso, abrangida pelo arranque deste domingo nos mesmos termos dos serviços urbanos da CP.

A extensão à Fertagus poderá assumir particular interesse para passageiros que pretendam prosseguir deslocações ferroviárias em direção à margem sul, incluindo Setúbal.

O Ministério estima em 1,5 milhões de euros anuais o impacto financeiro do alargamento do Passe Ferroviário Verde aos serviços urbanos.

Na fundamentação apresentada para a medida, o executivo enquadra a alteração numa política de simplificação tarifária e de incentivo à utilização do transporte público.

Para os passageiros do Alentejo, a mudança traduz-se sobretudo numa alteração prática: quem viaje exclusivamente de comboio e utilize serviços abrangidos pelo Passe Ferroviário Verde passa a poder entrar na rede urbana da CP em Lisboa mantendo o mesmo título de 20 euros, sem a anterior quebra tarifária à chegada à área metropolitana.

foto: CP

Augusta Serrano – Jornalista

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