Em declarações ao Alentrium.pt, José Manuel Santos, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo, destaca a forte procura na região, com Évora entre os destinos mais procurados neste período pascal
Nesta Sexta-Feira Santa, já em pleno período pascal, a região do Alentejo regista uma taxa média de ocupação turística superior a 75%, com destaque para a cidade de Évora, onde a procura se aproxima dos 90%, segundo dados avançados ao Alentrium.pt por José Manuel Santos, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo.

“Neste momento, o Alentejo apresenta uma taxa média de ocupação acima dos 75%, refletindo a diversidade da sua oferta turística. Há territórios onde essa ocupação se aproxima dos 90%, como é o caso de Évora, o que evidencia uma procura muito significativa neste período da Páscoa”, afirma.
A capital de distrito assume-se, assim, como um dos principais polos de atração turística nesta quadra, beneficiando da conjugação entre património, programação cultural e centralidade territorial, fatores que contribuem para níveis elevados de ocupação nas unidades hoteleiras.
No conjunto da região, a procura distribui-se de forma diferenciada. Na região do Alqueva, a ocupação ronda os 75%, enquanto no eixo Tróia–Comporta se situa perto dos 80%. Já a Costa Vicentina mantém níveis elevados de procura, com impacto também na restauração.
“Na Costa Vicentina registamos uma ocupação acima dos 75%, acompanhada por um forte ritmo na restauração, com um elevado número de reservas, o que confirma a atratividade deste destino”, refere.
No Alto Alentejo, vários empreendimentos turísticos registam ocupações entre os 80% e os 90%, aproximando-se dos níveis verificados em Évora, enquanto no Baixo Alentejo a procura evidencia maior contraste entre meio urbano e rural.
“No Baixo Alentejo, verificamos uma ocupação mais moderada nas cidades, mas uma procura muito elevada em herdades e unidades rurais envolventes, algumas das quais estão praticamente com lotação esgotada”, explica.
De acordo com o responsável, o atual contexto internacional está a influenciar as decisões dos turistas portugueses, contribuindo para uma maior procura interna, com impacto direto em destinos como Évora.
“Estamos a observar que muitos turistas portugueses que, habitualmente, optariam por destinos internacionais como Japão, Itália ou Brasil, estão agora a escolher ficar em Portugal, privilegiando sobretudo unidades de menor dimensão, como hotéis boutique, muitas delas localizadas em centros históricos como Évora”, sublinha.
Apesar de alguns sinais de retração em mercados internacionais, nomeadamente asiáticos, o impacto no Alentejo permanece limitado.
“Alguns operadores reportam uma diminuição dos mercados asiáticos, mas trata-se de segmentos com um peso reduzido na procura da região, pelo que não têm impacto significativo neste momento”, indica.
José Manuel Santos destaca ainda que a menor dependência do Alentejo face aos mercados internacionais contribui para a estabilidade do setor.
“O Alentejo está menos exposto à procura internacional do que outras regiões, como Lisboa ou o Algarve, o que permite, nesta fase, manter um desempenho turístico consistente”, acrescenta.
O Turismo do Alentejo e Ribatejo mantém o foco na captação de turistas de proximidade, com destaque para Espanha.
“Estamos a reforçar a aposta no mercado nacional e no mercado fronteiriço. Desde 11 de março, temos uma campanha ativa na Extremadura e na Andaluzia, com o objetivo de potenciar os fluxos turísticos provenientes de Espanha”, refere.
Ainda assim, o responsável considera prematuro retirar conclusões definitivas sobre o impacto do atual contexto internacional.
“É ainda cedo para avaliar plenamente as consequências da situação geopolítica na procura turística. Existem sinais em algumas regiões do país, mas, no caso do Alentejo, esses efeitos não são, para já, expressivos”, conclui.
Augusta Serrano
Jornalista


