Sexta-feira, Maio 15, 2026

“Ou defendemos a democracia com coragem, ou arriscamos perdê-la em silêncio”

Partilhar

Presidente da República alerta no Parlamento para os riscos silenciosos à democracia e deixa recados sobre corrupção, pobreza, desigualdade salarial, habitação e futuro dos jovens

Na sessão solene realizada na Assembleia da República para assinalar o 52.º aniversário do 25 de Abril, o Presidente da República, António José Seguro, deixou um forte alerta sobre a fragilidade da democracia, sublinhando que “a liberdade não desaparece de uma só vez, desaparece aos poucos”.

Perante os deputados e restantes representantes institucionais, o chefe de Estado defendeu que a democracia exige vigilância constante e alertou para os sinais discretos que podem enfraquecer as instituições.

“Primeiro é uma lei que parece razoável, depois uma instituição que se esvazia por dentro, depois uma voz que deixa de se ouvir, depois outra”, afirmou.

António José Seguro acrescentou que o perigo para a democracia raramente surge de forma evidente.

“O perigo para a democracia raramente chega como nos filmes. É mais frequente afirmar-se com argumentos que parecem inofensivos e, nos dias de hoje, também com algoritmos”, referiu.

O Presidente reforçou ainda que o contexto atual exige uma resposta firme perante os desafios internos e externos.

“Hoje, quando vemos a democracia ser testada dentro e fora das nossas fronteiras, não podemos hesitar. Ou a defendemos com coragem, ou arriscamos perdê-la em silêncio”, declarou.

No seu discurso, António José Seguro apontou também o combate à corrupção como uma prioridade urgente, considerando que este fenómeno representa uma ameaça direta ao funcionamento do Estado de Direito.

“O combate à corrupção é outra prioridade inadiável”, afirmou, explicando que “a corrupção distorce a vontade democrática, desvia recursos que pertencem a todos e mina os alicerces do Estado de Direito”.

A pobreza foi igualmente destacada como um obstáculo à liberdade individual e coletiva.

Segundo o Presidente, “a pobreza limita escolhas, condiciona oportunidades e, muitas das vezes, silencia vozes”, acrescentando que “quem vive na precariedade extrema não é plenamente livre para decidir o seu caminho”.

António José Seguro abordou ainda a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, assumindo não compreender a persistência desta realidade.

“Tenho mesmo muita dificuldade em compreender que mulheres ganhem menos do que os homens no desempenho da mesma atividade pelo facto de serem mulheres”, afirmou.

Dirigindo-se às novas gerações, reconheceu que os jovens enfrentam desafios particularmente exigentes e criticou comportamentos que, na sua visão, dificultam o seu futuro.

Referiu “a conveniência egoísta de algumas gerações” e também “os interesses de alguns setores económicos”, apontando-os como fatores que agravam essas dificuldades.

Na área da saúde, o Presidente considerou essencial reforçar a formação e o investimento, com especial atenção à saúde mental, defendendo uma resposta mais robusta do sistema.

Já sobre a habitação, destacou o acesso a uma casa digna como uma condição fundamental para a construção de projetos de vida estáveis.

António José Seguro sublinhou que sem esse direito garantido, “o projeto de vida das novas gerações fica suspenso”.

A sessão solene do 25 de Abril voltou assim a colocar no centro do debate temas estruturais da sociedade portuguesa, com o Presidente da República a defender que liberdade, justiça social e igualdade continuam a exigir respostas concretas e permanentes.

Augusta Serrano | Jornalista

Augusta Serrano

Jornalista

Últimas

A não perder

Relacionadas