Quarta-feira, Outubro 7, 2026

OPINIÃO|Orçamento do Estado para 2027: Zorrinho admite viabilização pelo PS se não houver surpresas

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O membro da Comissão Política Nacional do PS e presidente da Câmara Municipal de Évora defende melhores rendimentos para as famílias, uma maior ligação entre Évora 2027 e a população e o reconhecimento da carreira de Cristiano Ronaldo.

O Orçamento do Estado para 2027 poderá ter uma viabilização tranquila por parte do Partido Socialista, partido da oposição ao Governo liderado por Luís Montenegro, na leitura de Carlos Zorrinho. Essa expectativa fica condicionada à ausência de surpresas por parte do executivo e às decisões dos órgãos do PS.

Em entrevista ao Alentrium.pt, realizada em 2 de outubro de 2026, o membro da Comissão Política Nacional do PS e presidente da Câmara Municipal de Évora comentou as perspetivas económicas e orçamentais, Évora — Capital Europeia da Cultura 2027 e o papel de Cristiano Ronaldo na seleção.

Zorrinho esclareceu que participava nesta rubrica na qualidade de cidadão com uma leitura atenta da vida política, reconhecendo reconhecendo as funções de presidente da Câmara Municipal de Évora.

Crescimento económico e condições de vida

Carlos Zorrinho considera positiva a perspetiva de crescimento do Produto Interno Bruto, mas sublinha que os seus efeitos dependem da forma como esse crescimento é utilizado e distribuído.

“É melhor que haja crescimento do que não haja”, afirma. Ressalva, contudo, que o aumento do PIB não corresponde necessariamente a uma melhoria do bem-estar das pessoas.

Na sua análise, um PIB positivo ajuda a criar condições para concretizar as respostas necessárias, mas a avaliação da economia deve também considerar a vida das famílias.

Questionado sobre as prioridades para o Orçamento do Estado para 2027, começa por esclarecer que ainda não viu o documento. Defende, porém, a necessidade de criar uma nova dinâmica económica perante o fim do Plano de Recuperação e Resiliência e de aumentar progressivamente os salários, as pensões e os rendimentos.

Zorrinho considera que o equilíbrio das contas públicas não tem significado uma vida igualmente equilibrada para uma parte das famílias. Identifica, por isso, a melhoria das condições de vida como uma questão fundamental, associando-a também ao combate aos populismos e aos radicalismos.

Sobre o que descreve como um possível pré-acordo que permita a abstenção do PS, interpreta essa possibilidade como sinal de que algumas preocupações sociais e económicas terão sido acolhidas pelo executivo.

Na sua leitura, a estabilidade é também importante para que o crescimento económico tenha impacto. Recorda, contudo, que os partidos têm órgãos próprios de decisão e que a posição socialista deve passar por essas instâncias.

Quanto à possibilidade de uma viabilização tranquila por parte do PS, mantém a condição: “se não houver nenhuma surpresa da parte do Governo”.

Évora 2027: reforçar a ligação à população

Sobre Évora — Capital Europeia da Cultura 2027, Carlos Zorrinho reconhece as dificuldades de envolver a população e todo o Alentejo, mas destaca a colaboração entre as várias entidades.

“Penso que é preciso ir mais longe na ligação entre a capital europeia da cultura institucional e a capital europeia da cultura popular, mas é um caminho que se vai fazendo”, afirma.

A propósito da presença da ministra da Cultura em Évora, considera que a escolha da cidade para apresentar um programa de apoio à cultura reforça a sua centralidade neste domínio.

Refere também a ambição de que o espaço onde funciona a sede da Associação Évora 27 venha a ser um grande centro musical com projeção a partir de Évora e do Alentejo.

Embora reconheça que o caminho não é fácil, manifesta confiança no trabalho em curso. Questionado sobre a capacidade de chegar a tempo à abertura, responde: “Iremos a tempo, sim.”

Cristiano Ronaldo: reconhecer a carreira, escolher os melhores onze

No desporto, Carlos Zorrinho distingue o reconhecimento pelo percurso de Cristiano Ronaldo das decisões sobre quem deve jogar pela seleção nacional.

Considera Ronaldo o melhor jogador português de sempre e destaca o seu contributo para a projeção internacional de Portugal, defendendo que o país deve estar grato pelo que fez.

Quanto às escolhas desportivas, sustenta que devem jogar os melhores onze em cada partida.

Zorrinho defende uma futura homenagem ao jogador, distinguindo esse reconhecimento: “Essa homenagem não se faz fazendo com que ele jogue quando já há outros que podem jogar melhor que ele, mas faz-se reconhecendo o grande trabalho e a grande carreira que ele fez.”

Augusta Serrano – Jornalista

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