Segunda-feira, Julho 20, 2026

Olivença celebrou o Dia de Portugal numa terra onde a memória portuguesa continua viva

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Iniciativa reuniu dezenas de participantes e voltou a destacar os laços culturais que unem as comunidades de ambos os lados da fronteira

O Município de Olivença assinalou, no passado dia 10 de junho, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas com um programa cultural que decorreu no Museu Etnográfico Extremeño “González Santana”, reunindo dezenas de participantes numa celebração dedicada à identidade e memória das comunidades raianas.

Segundo a informação à redação do alentrium.pt a iniciativa teve início com a apresentação da obra Sombras na Raia, do escritor elvense Nuno Franco Pires. O livro aborda a realidade das populações fronteiriças e evidencia a importância da solidariedade e da proximidade entre os povos da raia em diferentes momentos históricos, com particular destaque para o período da Guerra Civil Espanhola.

O programa prosseguiu com uma visita à exposição de aguarelas Chaminés Alandroal, da autoria do artista português Víctor Rosa. A mostra centra-se num dos elementos mais emblemáticos da arquitetura popular portuguesa, proporcionando aos visitantes uma abordagem artística ao património construído da região.

As comemorações terminaram com um concerto de fado protagonizado por Leonor Alegria e Duarte Silvério, acompanhados por Paulo Cachinho, na guitarra portuguesa, e Joaquim Ferreira, na viola de fado. O espetáculo permitiu ao público contactar com uma das expressões culturais mais representativas de Portugal, encerrando a jornada num ambiente de proximidade entre intérpretes e espectadores.

Numa cidade onde a presença da cultura portuguesa continua a marcar a identidade local, a celebração voltou a sublinhar a relevância da cooperação cultural transfronteiriça e da preservação de uma memória comum que liga comunidades de Portugal e Espanha.

A iniciativa integrou-se nas comemorações do Dia de Portugal promovidas pelo Ayuntamiento de Olivenza, reforçando o papel da cultura como elemento de aproximação entre povos e de valorização do património histórico e humano partilhado na região raiana.

Recorde-se que Olivença integrou o território português durante vários séculos, após a sua incorporação no Reino de Portugal através do Tratado de Alcanizes, assinado em 1297 por D. Dinis e Fernando IV de Castela. A localidade permaneceu sob administração portuguesa até 1801, quando foi ocupada por forças espanholas durante a chamada Guerra das Laranjas, na sequência do Tratado de Badajoz. Portugal considera posteriormente nulo esse tratado e mantém a posição de que a questão territorial ficou por resolver, invocando os compromissos assumidos por Espanha no âmbito do Congresso de Viena de 1815. Atualmente, Olivença é administrada por Espanha, permanecendo um tema histórico e diplomático sensível, embora sem impacto nas relações de cooperação entre os dois países. 

Augusta Serrano – Jornalista

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