Área de olival cresce para mais de 74 mil hectares, enquanto o amendoal recua ligeiramente; relatório da EDIA aponta também para maior diversificação agrícola e novas práticas de sustentabilidade.
O olival e o amendoal continuam a dominar a área agrícola irrigada pelo Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, ocupando 83% dos cerca de 130 mil hectares de regadio, segundo o Anuário Agrícola de 2024 divulgado pela EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva e consultado pela agência Lusa.
De acordo com o documento, a área de olival registou um crescimento entre 2023 e 2024, passando de 71.045 para 74.059 hectares, consolidando-se como a principal cultura do perímetro de rega do Alqueva.
Em sentido inverso, o amendoal apresentou uma ligeira redução, fixando-se nos 23.653 hectares. Segundo os dados citados pela Lusa, esta evolução está associada à volatilidade dos preços no mercado internacional, que tem levado alguns agricultores a ajustar as suas opções culturais.
O relatório indica ainda que as culturas permanentes ganharam expressão, com um aumento de 2.450 hectares, enquanto as culturas anuais, como milho e trigo, registaram uma quebra de cerca de 6% no último ano.
Apesar da forte predominância do azeite, que tem contribuído para afirmar o Alentejo como um dos principais polos produtores a nível mundial, a EDIA assinala também uma tendência gradual de diversificação agrícola no perímetro de rega. Entre as culturas emergentes encontram-se citrinos, romãzeiras e vinha, embora esta última tenha registado uma redução de cerca de 370 hectares no período analisado.
O documento destaca igualmente a introdução de culturas intercalares, uma prática agrícola que já ocupa cerca de 350 hectares e que tem como objetivo reduzir a erosão do solo e diminuir a necessidade de fertilizantes, contribuindo para uma gestão mais sustentável das explorações.
No plano da transformação industrial, o anuário refere a existência de 61 lagares em funcionamento na área do Alqueva, refletindo um processo de modernização do setor olivícola na região, num contexto que contrasta com o encerramento de unidades tradicionais noutras zonas do Alentejo.


