Segunda-feira, Agosto 10, 2026

O último aplauso do circo dá lugar à tranquilidade: Julie já vive no Alentejo.

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Última elefante de circo em Portugal chegou ao Santuário Pangea, entre Vila Viçosa e Alandroal, encerrando um ciclo histórico na utilização de animais selvagens em espetáculos circenses.

A última elefante de circo em Portugal já vive no Santuário de Elefantes Pangea, no distrito de Évora. Julie, uma elefante africana com cerca de 40 anos, chegou esta quarta-feira àquela reserva natural, tornando-se a primeira residente do espaço e assinalando o fim da presença de animais selvagens em circos portugueses.

De acordo com um comunicado divulgado pelo santuário, Julie chegou a Portugal ainda em cria, proveniente do sul de África, e passou a integrar o Circo Víctor Hugo Cardinali em 1988. Durante cerca de quatro décadas participou em espetáculos circenses, até se reformar em 2024, na sequência da entrada em vigor da legislação aprovada pelo Parlamento em 2018 que determina a proibição da utilização de animais selvagens em circos.

A aplicação plena dessa lei ficou dependente da existência de um local capaz de acolher Julie em condições adequadas, situação que ficou agora resolvida com a sua transferência para o Pangea. No mesmo ano em que deixou definitivamente a pista, morreu também o seu último companheiro.

A mudança para o santuário foi concretizada através de um acordo voluntário entre o Pangea e a família Cardinali, que continuará a acompanhar a adaptação da elefante à sua nova realidade.

“A Julie fez parte da nossa família durante quase quarenta anos, por isso esta não foi uma decisão fácil: mas foi a decisão certa para ela”, afirmou Hugo Cardinali, citado no comunicado.

Santuário de Elefantes Pangea, implantado numa área protegida com cerca de 402 hectares, distribuída pelos concelhos de Vila Viçosa e Alandroal, é apresentado como o primeiro santuário europeu de grande dimensão dedicado exclusivamente a elefantes.

Neste novo habitat, Julie poderá explorar livremente o espaço, ao seu próprio ritmo, beneficiando de cuidados especializados adaptados à sua idade e às limitações de saúde e mobilidade frequentemente associadas a elefantes com um longo historial em cativeiro.

“A Julie é a primeira elefante a chamar Pangea de casa, e não podia haver primeira residente mais adequada do que o último elefante de circo de Portugal”, destacou Kate Moore, diretora executiva do santuário.

Para garantir uma adaptação tranquila, o espaço permanecerá, para já, encerrado ao público.

Segundo a mesma informação, ainda durante este ano deverá juntar-se a Julie outra elefante africana, Kariba, também com cerca de 40 anos, atualmente alojada sozinha num jardim zoológico da Bélgica.

Com a chegada de Julie ao Pangea Elephant Sanctuary, Portugal encerra simbolicamente um capítulo da história dos circos com animais selvagens, dando cumprimento integral ao enquadramento legal aprovado em 2018.

Augusta Serrano – Jornalista

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