Presidente da Câmara de Sines alerta para falta de habitação, escolas e serviços públicos face aos investimentos previstos na região
A confirmação da construção da fase inicial da gigafábrica de baterias da CALB, em Sines, voltou a colocar no centro do debate a capacidade do território para responder ao crescimento económico e populacional que se aproxima. Enquanto o país acompanha os números do investimento e o impacto esperado na economia nacional, em Sines cresce a preocupação com aquilo que o município considera ser uma pressão cada vez mais difícil de suportar sozinho.

A obra será liderada pela subsidiária da Mota-Engil, através da Mota-Engil Engenharia e Construção, num investimento avaliado em 207,3 milhões de euros e com um prazo de execução estimado de 22 meses. Integrado na futura New Sines Gigafactory, o projeto prevê cerca de sete mil postos de trabalho.
Mas, para o presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, a dimensão dos investimentos está a avançar muito mais depressa do que a capacidade da cidade para responder.
“O Estado vai arrecadar milhões com estes investimentos. A Câmara recebe apenas cerca de 1,2 milhões de euros por ano em derrama. Se isto é estratégico para o país, então o Governo também tem de investir em Sines”, afirmou ao Alentrium.pt.
O autarca admite que a preocupação já ultrapassou a fase dos alertas teóricos e começou a refletir-se no quotidiano da população.
“As pessoas já estão a sentir os efeitos negativos deste crescimento”, sublinhou, apontando como principais problemas a pressão sobre a habitação, os serviços de saúde, as escolas, a segurança e os restantes serviços públicos.
Segundo Álvaro Beijinha, a previsão de crescimento populacional obriga a pensar numa transformação profunda do território durante a próxima década.
“Estamos a falar de sete mil postos de trabalho. Prevemos que sejam necessárias entre três a quatro mil habitações nos próximos dez anos”, referiu.
O presidente da Câmara considera que o município não tem capacidade financeira para acompanhar sozinho uma realidade que poderá praticamente duplicar a população residente.
“A cidade está dimensionada para cerca de 13 mil habitantes. Se passarmos para 20 ou 25 mil pessoas, naturalmente que não temos condições”, alertou.
Entre os exemplos concretos apontados está a necessidade de construir uma nova escola pública, investimento que poderá ultrapassar os 12 milhões de euros.
“O orçamento anual de investimento da Câmara ronda os 12 milhões. É impossível responder sozinho a esta transformação”, afirmou.
Álvaro Beijinha recorda que, há mais de cinco décadas, o desenvolvimento industrial da região foi acompanhado por um forte planeamento público, incluindo habitação, equipamentos de saúde e escolas, através da criação de Vila Nova de Santo André.
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Agora, diz, o cenário é diferente.
“Estamos a viver uma segunda vaga industrial, mas praticamente nada foi preparado do ponto de vista das infraestruturas públicas”, lamentou.
Apesar das críticas, o autarca admite que começaram recentemente os primeiros contactos mais concretos com o Governo, defendendo que o país deve assumir responsabilidades proporcionais aos benefícios económicos esperados.
“Se este investimento é um desígnio nacional, então o país não pode deixar os problemas apenas nas mãos da Câmara”, concluiu.
Augusta Serrano | Jornalista
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