Quarta-feira, Outubro 7, 2026

«O Alentejo conta e na área da cultura também conta»: Henrique Sim-Sim destaca encerramento das Jornadas em Vila Viçosa

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Em declarações exclusivas ao Alentrium.pt, o vice-presidente da CCDR Alentejo para a Cultura vê na escolha de Vila Viçosa um sinal de atenção ao património da região. Aponta a reabilitação de monumentos e edifícios como prioridade, sem deixar de sublinhar a importância dos agentes culturais.

«É um sinal de que o Alentejo está presente na agenda cultural e patrimonial do país.» Foi assim que Henrique Sim-Sim, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo) para a Cultura, interpretou, em declarações exclusivas ao Alentrium, a escolha de Vila Viçosa para o encerramento nacional das Jornadas Europeias do Património.

A sessão realizou-se a 26 de setembro, no Cine-Teatro Florbela Espanca, sob o mote «Reviver, resistir, reinventar: Património e Sustentabilidade». O programa incluiu uma visita técnica, a apresentação da candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial e uma reflexão sobre o futuro do património. 

Para Henrique Sim-Sim, realizar o encerramento em Vila Viçosa reforça a atenção dedicada ao trabalho desenvolvido em torno da candidatura e transmite uma mensagem às comunidades: «O Alentejo conta e na área da cultura também conta.»

O responsável destacou o empenho do presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, e do coordenador da candidatura, o arquiteto Nuno Ribeiro Lopes. Valorizou, em particular, a capacidade de envolver e escutar a população antes de concluir processos. Na sua avaliação, Vila Viçosa tem seguido uma estratégia «quase exemplar».

Henrique Sim-Sim manifestou esperança num resultado favorável para a candidatura, mas reconheceu que a decisão cabe às instâncias internacionais. Uma eventual classificação, afirmou, teria importância para os calipolenses, para o Alentejo e para o país.

Questionado sobre as prioridades da CCDR Alentejo na área da Cultura, o vice-presidente colocou a reabilitação patrimonial em primeiro lugar. Disse encontrar, nos concelhos que visita, edifícios e outros elementos a necessitar de restauro ou salvaguarda.

Reconheceu, porém, que os recursos disponíveis não permitem intervir em todo o património. Defendeu, por isso, um trabalho contínuo de identificação, inventário e conservação, com responsabilidades partilhadas entre juntas de freguesia, municípios, administração central e CCDR. À comissão regional atribuiu o papel de ajudar a mobilizar financiamento, aproximar entidades e acompanhar os projetos.

Como exemplo da dimensão desse desafio, referiu a Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz, apresentada no mesmo dia, que reúne cerca de 1.500 sítios arqueológicos identificados no concelho.

Henrique Sim-Sim apontou ainda o trabalho em torno do megalitismo alentejano e da salvaguarda da Anta Grande do Zambujeiro, no concelho de Évora, como áreas a que pretende dar atenção. 

Entre os projetos culturais, mencionou a Orquestra Regional do Alentejo. A associação promotora foi formalizada a 21 de setembro; a criação da orquestra constitui a etapa seguinte do projeto.

O vice-presidente defendeu também maior visibilidade para os agentes culturais da região, cujo trabalho, considerou, nem sempre recebe a atenção dada a iniciativas dos grandes centros urbanos. Para Henrique Sim-Sim, apoiar quem cria e preserva cultura no Alentejo deve acompanhar o esforço de recuperação do património.

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