Fernando Alexandre defende novo modelo de colocação com concurso anual e recrutamento contínuo para responder às necessidades das escolas e atrair mais profissionais para o ensino
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, considera que o novo modelo de concursos de professores que o Governo pretende implementar poderá ajudar a responder à crescente falta de docentes nas escolas portuguesas.
A proposta foi apresentada esta segunda-feira pela equipa ministerial aos sindicatos de professores e prevê, além do habitual concurso anual, a criação de um concurso permanente, destinado a dar resposta mais rápida às necessidades que vão surgindo ao longo do ano letivo.
Segundo o governante, esta medida permitirá reforçar o sistema de recrutamento e facilitar a entrada de novos profissionais no ensino, sobretudo daqueles que concluem recentemente a sua formação académica.
“Temos, felizmente, milhares de pessoas que querem ser professores, mas não tratamos bem essas pessoas”, afirmou Fernando Alexandre aos jornalistas, após a ronda negocial com os sindicatos.
O ministro exemplificou com a situação de quem termina o mestrado em ensino no verão e, fora dos mecanismos residuais de contratação de escola, só consegue concorrer no ano seguinte.
“Isso não faz sentido nenhum. O que vamos permitir com este concurso é que alguém que acaba o curso de mestrado de ensino possa, no dia seguinte, ir ao Ministério da Educação e ver que oportunidades tem para dar aulas”, reforçou.
Para o responsável pela tutela, este novo modelo poderá “contribuir para alargar a base de recrutamento de professores”, tornando mais eficiente a resposta às carências identificadas pelos agrupamentos escolares.
Sindicatos reagem com satisfação, mas mantêm reservas
A reunião com os sindicatos decorreu em simultâneo com uma manifestação convocada pela FENPROF à porta do Ministério da Educação.
O encontro surge depois de, no início de março, o sindicato STOP ter realizado uma ação semelhante no mesmo local, mas sem ter sido autorizado a participar nas negociações dessa ronda.
Desta vez, a FENPROF foi recebida, situação que gerou questões sobre um eventual tratamento desigual entre estruturas sindicais.
Fernando Alexandre rejeitou qualquer discriminação e explicou que a decisão depende sempre da avaliação do contexto e das condições existentes no momento.
“O que houve foi um encontro, eu desvalorizei, confesso que lá dentro não nos apercebemos, não havia ruído”, afirmou.
Questionado sobre a diferença de tratamento entre sindicatos, respondeu de forma direta: “Não é uma discriminação”, acrescentando que fará “sempre uma avaliação face àquilo que está a decorrer à porta do Ministério”.
O ministro sublinhou ainda que, sempre que considerar não existirem condições adequadas para a realização das reuniões negociais, atuará em conformidade.
A proposta continua agora em discussão com os representantes sindicais, num processo que o Governo considera essencial para garantir maior estabilidade no sistema educativo e reduzir a escassez de professores que afeta várias regiões do país.
Por Augusta Serrano – Jornalista
Foto: RR


