Sexta-feira, Maio 15, 2026

Novo concurso permanente para professores quer combater falta de docentes nas escolas, garante ministro

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Fernando Alexandre defende novo modelo de colocação com concurso anual e recrutamento contínuo para responder às necessidades das escolas e atrair mais profissionais para o ensino

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, considera que o novo modelo de concursos de professores que o Governo pretende implementar poderá ajudar a responder à crescente falta de docentes nas escolas portuguesas.

A proposta foi apresentada esta segunda-feira pela equipa ministerial aos sindicatos de professores e prevê, além do habitual concurso anual, a criação de um concurso permanente, destinado a dar resposta mais rápida às necessidades que vão surgindo ao longo do ano letivo.

Segundo o governante, esta medida permitirá reforçar o sistema de recrutamento e facilitar a entrada de novos profissionais no ensino, sobretudo daqueles que concluem recentemente a sua formação académica.

“Temos, felizmente, milhares de pessoas que querem ser professores, mas não tratamos bem essas pessoas”, afirmou Fernando Alexandre aos jornalistas, após a ronda negocial com os sindicatos.

O ministro exemplificou com a situação de quem termina o mestrado em ensino no verão e, fora dos mecanismos residuais de contratação de escola, só consegue concorrer no ano seguinte.

“Isso não faz sentido nenhum. O que vamos permitir com este concurso é que alguém que acaba o curso de mestrado de ensino possa, no dia seguinte, ir ao Ministério da Educação e ver que oportunidades tem para dar aulas”, reforçou.

Para o responsável pela tutela, este novo modelo poderá “contribuir para alargar a base de recrutamento de professores”, tornando mais eficiente a resposta às carências identificadas pelos agrupamentos escolares.

Sindicatos reagem com satisfação, mas mantêm reservas

A reunião com os sindicatos decorreu em simultâneo com uma manifestação convocada pela FENPROF à porta do Ministério da Educação.

O encontro surge depois de, no início de março, o sindicato STOP ter realizado uma ação semelhante no mesmo local, mas sem ter sido autorizado a participar nas negociações dessa ronda.

Desta vez, a FENPROF foi recebida, situação que gerou questões sobre um eventual tratamento desigual entre estruturas sindicais.

Fernando Alexandre rejeitou qualquer discriminação e explicou que a decisão depende sempre da avaliação do contexto e das condições existentes no momento.

“O que houve foi um encontro, eu desvalorizei, confesso que lá dentro não nos apercebemos, não havia ruído”, afirmou.

Questionado sobre a diferença de tratamento entre sindicatos, respondeu de forma direta: “Não é uma discriminação”, acrescentando que fará “sempre uma avaliação face àquilo que está a decorrer à porta do Ministério”.

O ministro sublinhou ainda que, sempre que considerar não existirem condições adequadas para a realização das reuniões negociais, atuará em conformidade.

A proposta continua agora em discussão com os representantes sindicais, num processo que o Governo considera essencial para garantir maior estabilidade no sistema educativo e reduzir a escassez de professores que afeta várias regiões do país.

Por Augusta Serrano – Jornalista

Foto: RR

Augusta Serrano

Jornalista

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