Segunda-feira, Outubro 12, 2026

Não ter acesso à cultura também é pobreza” — Ammaia junta educação, património e inclusão social.

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Decorreu no dia 9 de janeiro, no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, I.P., a Cerimónia de Assinatura dos Termos de Aceitação no âmbito do Aviso “Inclusão pela Cultura”, inserido no Programa Regional Alentejo 2030. O momento assinala um passo decisivo na execução de projectos de inclusão social através da cultura na região do Alentejo.

A cerimónia contou com a presença de diversas entidades beneficiárias, entre as quais a Fundação Cidade de Ammaia, representada pelo seu presidente, Nuno Pereira.

Nuno Pereira, Presidente da Fundação Cidade de Ammaia adiantou ao Alentrium.pt. “Estou nessa qualidade aqui a representar a Fundação na aceitação dos termos deste projeto que nós muito satisfatoriamente recebemos a notícia”, começou por afirmar. “Este é um projeto que eu diria quase que único na Europa.”

A Cidade Romana de Ammaia, situada em São Salvador da Aramenha, no concelho de Marvão, é um dos mais relevantes sítios arqueológicos do país, classificado como Monumento Nacional desde 1949. O presidente sublinhou o carácter único da instituição: “Somos o caso único em Portugal: uma fundação de direito privado que toma conta de um bem que é nacional e que é de todos.”

Sobre os desafios de gestão, foi direto: “Não temos apoio do Estado. Nenhum apoio. Temos de ser muito criativos na maneira como buscamos o nosso financiamento e garantimos a sustentabilidade da Fundação.”

O projecto agora financiado pelo Alentejo 2030 tem duas vertentes principais. A primeira visa a valorização local da Ammaia: “Pegámos na Ammaia para torná-la conhecida localmente. Fizemos isso com entidades locais e agora com o livro ‘A Ammaia Contada aos Gaiatos’, feito com o apoio das crianças do agrupamento escolar. Elas escolheram os nomes das personagens, foram os pais e padrinhos das personagens.”

A segunda vertente centra-se no combate à pobreza cultural: “A pobreza não é só não ter comida na mesa. Não ter acesso à cultura também é pobreza. Como foi dito, e bem, pela vice-presidente da CCDR, sem cultura não há nada.”

O projecto pretende levar a Ammaia às escolas do distrito: “Durante três anos, queremos chegar a todas as escolas do distrito com ações diretas. Este livro poderá ser uma ferramenta. Depois, queremos que os alunos venham à Ammaia ser arqueólogos por um dia ou dois.”

Inclui também uma dimensão intergeracional: “Queremos trabalhar com a terceira idade, com aqueles que são jovens há mais tempo. Podem fazer estágios no museu, ajudar nas visitas, integrar programas com os miúdos. E os próprios jovens podem contar aos mais velhos aquilo que aprenderam sobre a Ammaia.”

Sobre o valor do apoio, referiu: “Penso que anda à volta dos 280 mil euros, com uma co-participação nossa. A dividir por três anos.

Quanto ao mecenato, foi claro: “Infelizmente, não temos. O mecenato em Portugal ainda se associa mais à arte, à pintura, a galerias. A arqueologia não é ainda valorizada nesse contexto.”

Destacou ainda o papel do fundador da Fundação: “O engenheiro Lancier foi quem iniciou tudo. Investiu, comprou os terrenos – temos 21 dos 25 hectares da cidade – e criou a Fundação. Eu substituí-o quando adoeceu, e após o seu falecimento fui eleito.”

Concluiu com uma mensagem: “Muito sucesso. A Ammaia é de todos.”

As ruínas da Cidade de Ammaia, descobertas nos anos 30, situam-se no Parque Natural da Serra de São Mamede e testemunham a presença romana na antiga Lusitânia. O seu território abrangia uma vasta área do atual distrito de Portalegre e zonas de Espanha.

Com este novo financiamento europeu, a Fundação reforça a sua missão de educação patrimonial, envolvimento comunitário e preservação do património arqueológico nacional.

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