Arranque da FIAPE 2026 e da Feira de Artesanato destaca aposta na descentralização, nos fundos europeus e no papel das autarquias no desenvolvimento do Alentejo
A cidade de Estremoz recebeu esta quarta-feira a abertura oficial da 38.ª Feira Internacional de Agropecuária (FIAPE) e da 42.ª Feira de Artesanato, num arranque marcado por forte presença institucional e pela expectativa de milhares de visitantes até ao próximo dia 3 de maio.
O certame decorre no Parque de Feiras e Exposições e volta a afirmar-se como um dos principais eventos económicos, culturais e sociais do Alentejo, reunindo agentes do setor agropecuário, artesãos, empresários e entidades públicas.

A sessão inaugural contou com a presença do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, além de autarcas, representantes institucionais e diversos agentes ligados ao mundo rural.
O Alentrium.pt marcou presença no local e recolheu declarações do governante, que sublinhou a relevância estratégica do evento e do envolvimento das comunidades locais no desenvolvimento do território.
“Os territórios só se fazem com pessoas”, afirmou, destacando o papel dos agentes locais e das parcerias com as autarquias na concretização de iniciativas como a FIAPE, que classificou como um exemplo consolidado ao longo de décadas.

No seu discurso, o secretário de Estado enfatizou a estratégia do Governo para reforçar a descentralização de competências e a desconcentração da administração central, atribuindo maior capacidade de decisão às estruturas regionais, nomeadamente às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
“O que pretendemos foi desconcentrar decisões que eram tomadas em Lisboa, trazendo-as para o território. Isso faz toda a diferença”, referiu, apontando para uma maior proximidade entre políticas públicas e necessidades locais.
A intervenção destacou ainda o papel dos fundos europeus, nomeadamente do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), como instrumentos fundamentais para o investimento no país e nos territórios.
“Não se fazem omeletes sem ovos”, afirmou, numa referência à necessidade de dotar as autarquias de meios financeiros adequados para concretizar políticas públicas e promover o desenvolvimento local.

Neste contexto, anunciou que está em preparação uma nova Lei das Finanças Locais, com o objetivo de garantir maior previsibilidade financeira às autarquias e reforçar o apoio aos territórios com mais necessidades.
O governante abordou igualmente a necessidade de simplificação administrativa, defendendo processos de decisão mais céleres e eficazes, bem como a revisão do enquadramento legal associado à contratação pública e ao controlo administrativo.
Outro dos pontos centrais foi a valorização do papel dos eleitos locais, com a intenção de rever o estatuto dos eleitos locais, de forma a tornar a função mais atrativa e ajustada às exigências atuais.
“Temos que continuar a atrair os melhores para a política”, afirmou, defendendo melhores condições para quem assume responsabilidades públicas ao nível local.
A fixação de população, em particular de jovens, foi também destacada como um dos principais desafios para o país e para regiões como o Alentejo.
“Temos que devolver esperança às pessoas e criar condições para que possam viver e trabalhar nestes territórios”, sublinhou, associando esse objetivo ao crescimento económico e à valorização das economias regionais.
Veja também: Estremoz abre as portas da FIAPE, um dos maiores certames económicos e agropecuários do Alentejo. Veja o vídeo.
A FIAPE e a Feira de Artesanato prolongam-se até 3 de maio, com um programa diversificado que inclui exposições, atividades económicas, momentos culturais e espaços dedicados à promoção do território.
Augusta Serrano | Jornalista


