Sexta-feira, Maio 15, 2026

“Não aceitamos a proposta da CCDR”, afirma autarca na FIAPE 2026 sobre reprogramação do Alentejo 2030

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Feira Internacional de Agropecuária e Feira de Artesanato decorrem até 3 de maio, com forte presença institucional e impacto na economia regional

38.ª edição da FIAPE – Feira Internacional de Agropecuária e a 42.ª Feira de Artesanato de Estremoz arrancaram esta quarta-feira, no Parque de Feiras e Exposições da cidade, com uma forte presença institucional e a expectativa de milhares de visitantes até ao próximo dia 3 de maio.

O certame, considerado um dos mais relevantes do calendário económico e cultural do Alentejo, reúne expositores, produtores, criadores e artesãos, afirmando-se como uma plataforma de promoção da agropecuária, da economia regional e das tradições alentejanas.

A sessão inaugural contou com a presença do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, entre diversas entidades institucionais e autarcas da região.

À margem da inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, sublinhou, em declarações ao Alentrium.pt, a importância do evento para a dinâmica regional, destacando o impacto direto na economia local e na cooperação entre territórios vizinhos.

“O que acontece de positivo na região beneficia sempre todos. Há uma complementaridade entre concelhos, nomeadamente ao nível da hotelaria e restauração, que se reflete em momentos como este”, referiu.

O autarca considerou ainda que a FIAPE tem vindo a consolidar-se como uma referência, destacando a evolução do certame ao longo dos anos, nomeadamente ao nível das infraestruturas e da capacidade de atração de público e investimento.

Reprogramação do Alentejo 2030 gera preocupação

Durante a visita, Inácio Esperança abordou também a reprogramação do Alentejo 2030, admitindo preocupações quanto à eventual redução de verbas para projetos em curso.

O presidente explicou que os municípios enfrentam desafios na execução dos fundos, sobretudo devido à complexidade dos processos administrativos.

“Existe um conjunto significativo de procedimentos — concursos públicos, pareceres e validações — que tornam difícil cumprir os prazos iniciais, sobretudo nos primeiros anos”, afirmou.

Segundo o autarca, os municípios dispõem de três anos para comprometer as verbas e mais dois para a sua execução, estando atualmente numa fase de avaliação intermédia.

Apesar das dificuldades, garantiu que Vila Viçosa não foi diretamente afetada por cortes nas áreas em que tinha projetos mais avançados, nomeadamente na regeneração urbana.

Ainda assim, admitiu que projetos em fase de preparação poderão sofrer ajustamentos nos níveis de financiamento.

“Os contratos já assinados serão cumpridos. No entanto, projetos ainda em fase de candidatura poderão ver reduzidas as taxas de financiamento”, explicou.

No seguimento de uma reunião recente com entidades regionais, os municípios manifestaram discordância face à proposta apresentada pela CCDR Alentejo, estando a preparar uma contraproposta.

“Estamos num processo negocial. Reconhecemos a necessidade de ajustamentos, mas defendemos um equilíbrio que responda às necessidades dos territórios”, acrescentou.

Certame afirma-se como montra do Alentejo

Até 3 de maio, a FIAPE e a Feira de Artesanato oferecem uma programação diversificada, que cruza atividade empresarialgastronomiainovaçãoespetáculos e cultura, dirigida a diferentes públicos.

O evento reforça o posicionamento de Estremoz como um dos principais polos de dinamização económica e cultural do Alentejo, consolidando-se como uma das maiores montras do potencial da região.


Augusta Serrano | jornalista

Augusta Serrano

Jornalista

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