Mesa-redonda juntou testemunhos, demonstrações e reflexão sobre a preservação de uma das mais reconhecidas tradições artesanais do Alentejo
O Museu Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, acolheu ontem a mesa-redonda “Pontos que unem – O Tapete de Arraiolos”, iniciativa que reuniu diferentes intervenientes ligados à preservação, produção e valorização desta expressão tradicional da arte têxtil alentejana.

Durante a sessão, Vitorino Paulo partilhou o seu percurso pessoal e profissional ligado aos Tapetes de Arraiolos, explicando a forma como se aproximou deste ofício e como acabou por lhe dedicar grande parte da sua vida. Proprietário de uma loja em Arraiolos, destacou o conhecimento adquirido ao longo dos anos e abordou também os desafios e oscilações que têm marcado este setor artesanal.
Já Filipe Rocha da Silva recordou que o contacto com o Tapete de Arraiolos começou ainda na infância, embora a ligação à arte têxtil só mais tarde tenha ganho expressão no seu percurso artístico. Durante a intervenção, apresentou vários exemplos que, segundo referiu, demonstram a vitalidade e capacidade de renovação da arte têxtil contemporânea. Alguns desses exemplos integram o “Livro do Ponto”, obra da qual foi um dos coordenadores.

A mesa-redonda contou igualmente com a participação de Susana Silva, que realizou ao vivo o restauro de um tapete durante grande parte da iniciativa. A bordadeira e restauradora falou sobre a especificidade técnica do ponto de Arraiolos, o trabalho de conservação destas peças e a importância da transmissão de conhecimentos às novas gerações. Ao longo da sessão, mostrou-se ainda disponível para ensinar algumas técnicas a participantes presentes no público.

A iniciativa promoveu o contacto direto com diferentes perspetivas sobre o Tapete de Arraiolos, reunindo testemunhos ligados à criação artística, ao restauro e à continuidade deste património identitário do Alentejo.
Augusta Serrano | Jornalista


