Quarta-feira, Outubro 7, 2026

Ministro critica «senda populista» nas portagens após isenção na A2 e A6 para residentes do Alentejo

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Miguel Pinto Luz defende o princípio do utilizador-pagador e alerta para as consequências financeiras da eliminação de portagens. No Alentejo, residentes e empresas beneficiam desde abril de isenções em troços da A2 e da A6, uma medida aprovada pelo Parlamento contra os votos dos partidos que sustentam o Governo.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, criticou esta terça-feira, 29 de setembro, as decisões parlamentares que têm conduzido à eliminação de portagens em várias autoestradas, defendendo que os utilizadores devem contribuir para o financiamento da rede rodoviária.

“Se continuarmos na senda populista vamos hipotecar o nosso futuro coletivo”, afirmou o governante, segundo declarações divulgadas pelo Jornal de Negócios, durante a apresentação, em Carnaxide, do estudo da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) sobre o financiamento da rede rodoviária.

As declarações surgem num contexto em que o Alentejo passou este ano a beneficiar de um regime específico de isenção de portagens na A2 e na A6, aprovado pela Assembleia da República no âmbito do Orçamento do Estado para 2026.

Miguel Pinto Luz defendeu o princípio do utilizador-pagador como uma das formas de garantir recursos para conservar e investir nas infraestruturas rodoviárias, embora tenha manifestado abertura para a discussão de novos modelos de financiamento e concessão.

A posição expressa pelo ministro é de âmbito nacional. Nas declarações divulgadas pelo Jornal de Negócios.

No caso do Alentejo, a isenção resultou de uma iniciativa parlamentar do PS apresentada durante a discussão do Orçamento do Estado para 2026.

A proposta foi aprovada na altura na especialidade em 26 de novembro de 2025, com os votos contra de PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal, a abstenção do PAN e os votos favoráveis dos restantes partidos.

O regime ficou posteriormente inscrito no artigo 203.º da Lei n.º 73-A/2025, de 30 de dezembro.

A legislação estabelece a isenção de taxas de portagem para pessoas singulares e coletivas com residência ou sede nas respetivas áreas de influência de dois grandes eixos rodoviários do Alentejo.

Na A6, a isenção aplica-se entre o nó A2/A6/A13 e o Caia e beneficia residentes e entidades com sede no Alto Alentejo e Alentejo Central.

Na A2, o benefício abrange o troço compreendido entre o nó A2/A6/A13 e Almodôvar, para residentes e entidades sediadas no Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.

A aplicação prática do regime foi regulamentada pela Portaria n.º 131/2026/1, de 30 de março, e entrou em vigor a 1 de abril de 2026.

Para beneficiar da isenção é necessário aderir a um serviço eletrónico de portagens e solicitar a associação do equipamento de bordo do veículo ao regime, apresentando a documentação prevista na portaria.

A delimitação territorial escolhida para as duas autoestradas gerou, entretanto, contestação dentro do próprio Partido Socialista.

A Federação do Baixo Alentejo do PS defendeu, numa posição divulgada a 31 de março reclamou, que a isenção deveria ser alargada, permitindo que residentes e empresas alentejanas pudessem beneficiar do regime nas duas autoestradas, independentemente da sub-região onde têm residência ou sede.

Os socialistas classificaram então a medida como positiva, mas consideraram insuficiente a sua aplicação separada por áreas de influência da A2 e da A6.

A reivindicação foi dirigida ao Governo e ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.

O atual quadro mantém, contudo, a separação definida na lei: Alto Alentejo e Alentejo Central beneficiam da isenção no troço abrangido da A6, enquanto Baixo Alentejo e Alentejo Litoral estão abrangidos pelo regime aplicado à A2.

As declarações agora feitas por Miguel Pinto Luz não representam, à luz da informação divulgada, uma resposta à reivindicação do PS do Baixo Alentejo nem significam uma alteração das isenções atualmente em vigor. Colocam, porém, novamente no debate político o modelo de financiamento das autoestradas e a questão de quem deve suportar os custos de utilização, manutenção e investimento na rede rodoviária.

Foto: RR

Augusta Serrano- Jornalista

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