Segunda-feira, Agosto 10, 2026

Ministro afirma “turismo de massas não é solução”: “Cada turista tem de pagar mais pelos dias que passa em Portugal”

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Manuel Castro Almeida considera que o país deve privilegiar um modelo turístico assente na qualidade, na valorização da identidade e na melhoria dos salários no setor. Declarações foram feitas em Timor-Leste, durante a reunião de ministros do Turismo da CPLP.

Ministro defende turismo de maior valor e considera que os visitantes devem gastar mais durante a estadia em Portugal. A posição foi assumida esta sexta-feira por Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, no final da reunião dos ministros do Turismo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada em Díli, Timor-Leste.

Em declarações à agência Lusa, o governante afirmou que Portugal deve apostar num modelo turístico baseado na diferenciação e na criação de maior valor acrescentado, afastando-se da lógica do turismo de massa.

Segundo Manuel Castro Almeida, o objetivo passa por “valorizar o turismo”, o que, na sua perspetiva, significa aumentar o valor económico gerado por cada visitante.

“Significa aumentar-lhe o seu valor e aumentar o valor significa que cada turista tem de pagar mais pelos dias que passa em Portugal. O resultado é que quem trabalha no turismo possa ter melhores salários. É isto que nós pretendemos. E quem investe no turismo possa ter retorno suficiente para continuar a investir com cada vez maior qualidade”, afirmou à Lusa.

O ministro defendeu igualmente que cada país da CPLP deve preservar e promover a sua identidade própria, respondendo à procura crescente por experiências diferenciadoras.

“Esta reunião serviu para colocar o enfoque na importância de cada país preservar a sua identidade, porque hoje os turistas andam à procura de experiências inovadoras, diferenciadoras e cada um dos nossos países tem de valorizar o que tem de diferente”, declarou.

De acordo com Manuel Castro Almeida, uma das principais conclusões da reunião passou pela necessidade de especializar os destinos, percursos e rotas turísticas de cada país, valorizando áreas como o turismo cultural, o turismo de natureza e a preservação da identidade local.

Cooperação entre Portugal e Timor-Leste

Durante a deslocação a Díli, que termina no sábado, o ministro reuniu-se também com o primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, encontro em que foram abordadas matérias relacionadas com o poder local e o desenvolvimento económico e social dos dois países.

Na quinta-feira, Manuel Castro Almeida assinou ainda um acordo de cooperação no setor do turismo que prevê a formação de jovens timorenses por formadores portugueses. Segundo explicou, parte desses formandos permanecerá em Timor-Leste para contribuir para o desenvolvimento do país, enquanto outra parte poderá vir para Portugal para responder à falta de trabalhadores no setor turístico.

Para regiões com forte vocação turística, como o Alentejo, onde cresce a aposta no enoturismo, no turismo de natureza e na valorização do património cultural, a estratégia defendida pelo ministro reforça a importância da diferenciação e da criação de valor como fatores de competitividade.

Fonte: Agência Lusa.

Augusta Serrano – Jornalista

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