Sábado, Junho 13, 2026

Mas o risco de pobreza continua a marcar a região. Presidente da ADRAL alerta para um território “a duas velocidades”

Partilhar

João Grilo defende debate regular sobre o futuro da região e avisa para os desafios da perda de fundos europeus e do aumento das desigualdades

A Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo promoveu, em Évora, a iniciativa intitulada “O Estado da Região”, um encontro que reuniu empresários, académicos, autarcas e entidades ligadas ao desenvolvimento regional para refletir sobre os principais desafios económicos, sociais e territoriais do Alentejo. 

À margem da iniciativa, o Alentrium.pt ouviu o presidente da ADRAL, João Grilo, que considerou este primeiro encontro “um passo importante” para consolidar um espaço regular de debate sobre o futuro da região.

“Não se discute no Alentejo o estado da região”, afirmou João Grilo, defendendo que o encontro deverá ter continuidade e aprofundamento nos próximos anos. Segundo o responsável, participaram representantes da Universidade de Évora, agências de desenvolvimento, especialistas em fundos comunitários de Portugal e Espanha, bem como entidades europeias ligadas ao desenvolvimento regional. 

O presidente da ADRAL destacou que o Alentejo apresenta hoje uma realidade muito diferente daquela que existia há quatro décadas, sublinhando o impacto dos fundos de coesão europeus no desenvolvimento do território.

“Temos hoje seguramente uma região muito diferente da que teríamos se ao longo dos últimos 40 anos não tivéssemos tido o apoio dos fundos de coesão”, referiu. 

João Grilo apontou o crescimento do turismo sustentável, da agroindústria, da aeronáutica, das energias renováveis, da produção de hidrogénio verde e dos centros de dados como alguns dos setores estratégicos que estão a transformar o Alentejo e a criar novas oportunidades económicas.

Ainda assim, deixou o alerta para as fragilidades estruturais que continuam a marcar o território. Segundo o responsável, o Alentejo mantém a maior taxa de risco de pobreza do país, fixada em 17,9%, além de enfrentar problemas como desertificação, perda populacional e aumento das assimetrias internas.

“Temos aqui o risco de um Alentejo a duas velocidades que tem que, de alguma forma, ser corrigido”, destacou, defendendo que o futuro da região passa por garantir maior coesão territorial e social. 

Outro dos temas centrais abordados pelo presidente da ADRAL foi a futura redução da dependência dos fundos europeus. João Grilo alertou para as mudanças em preparação na política de coesão da União Europeia, nomeadamente a possibilidade de centralização dos programas e a diminuição gradual do financiamento disponível para Portugal.

Segundo explicou, fatores como a eventual ultrapassagem dos 75% do PIB médio europeu e o alargamento da União Europeia a novos países poderão reduzir significativamente o acesso do Alentejo aos fundos de convergência.

“Portugal tem que se preparar para deixar de depender de forma tão massiva dos fundos de coesão para o desenvolvimento”, sublinhou. 

Durante a entrevista, João Grilo abordou ainda o processo de reprogramação do Alentejo 2030, admitindo que já existe um entendimento de princípio entre a CCDR Alentejo e os municípios da CIMAC relativamente à redistribuição de prioridades e verbas.

Segundo explicou, o objetivo passa por garantir maior capacidade de execução dos fundos comunitários, permitindo ajustar prioridades entre municípios consoante a capacidade de concretização dos investimentos previstos.

O presidente da ADRAL garantiu ainda que não existe um corte definitivo de verbas, defendendo que poderá haver reforços financeiros mediante a capacidade de execução demonstrada pelos municípios.

Augusta Serrano | Jornalista

Augusta Serrano

Jornalista

Últimas

A não perder

Relacionadas