Domingo, Julho 19, 2026

Mão de obra estrangeira já representa mais de 40% na agricultura — só em Odemira estima-se que ultrapasse os 70%

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Setor agrícola depende cada vez mais de trabalhadores imigrantes; no sudoeste alentejano, a concentração é particularmente elevada e estrutural para a produção

A presença de trabalhadores estrangeiros na agricultura portuguesa atingiu um peso histórico, representando atualmente mais de 40% da mão de obra do setor, um valor que quadruplicou na última década.

Dados recentes apontam que cerca de quatro em cada dez trabalhadores da agricultura em Portugal são estrangeiros, refletindo uma transformação estrutural do mercado de trabalho agrícola. Há cerca de dez anos, esta proporção situava-se em valores próximos dos 10%, evidenciando um crescimento acelerado da dependência de mão de obra imigrante.

Este fenómeno surge num contexto de escassez persistente de trabalhadores nacionais disponíveis para funções agrícolas, levando produtores e organizações do setor a recorrerem cada vez mais a trabalhadores estrangeiros para garantir a continuidade da atividade.

Apesar de, em média, apresentarem níveis de qualificação superiores, os trabalhadores estrangeiros continuam a auferir rendimentos médios entre 8% e 10% inferiores aos trabalhadores portugueses. Ainda assim, estudos indicam que esta diferença salarial tem vindo a diminuir de forma gradual.

A disparidade está frequentemente associada a fatores como a precariedade contratual, menor estabilidade laboral e dificuldades de integração no mercado de trabalho.

No Alentejo, e em particular no concelho de Odemira, esta realidade assume uma dimensão ainda mais expressiva.

Estima-se que, em várias explorações agrícolas do concelho, mais de 70% da mão de obra seja estrangeira, refletindo a forte dependência do setor agrícola intensivo instalado na região, sobretudo na produção hortofrutícola destinada à exportação.

Dados demográficos recentes indicam também que a população estrangeira residente em Odemira ultrapassa os 60%, um valor sem paralelo no território nacional e diretamente ligado à dinâmica do setor agrícola local.

Estudos setoriais apontam ainda que:

  • A maioria das explorações agrícolas da região depende maioritariamente de trabalhadores estrangeiros
  • Em muitos casos, essa dependência ultrapassa os 75% da força de trabalho
  • Predominam nacionalidades do sul da Ásia, como Nepal, Índia e Bangladesh

A crescente presença de trabalhadores estrangeiros acompanha a evolução da agricultura portuguesa, marcada pela intensificação produtiva e pela orientação para mercados externos.

Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relevantes, nomeadamente ao nível das condições de trabalho, habitação e integração social, questões que têm sido alvo de atenção por parte de entidades públicas e organizações da sociedade civil.

A tendência confirma uma mudança estrutural: a agricultura em Portugal tornou-se progressivamente dependente da imigração, com regiões como Odemira a evidenciar de forma mais clara esta realidade.

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