Segunda-feira, Abril 20, 2026

Mais de 25 mil milhões de euros em investimentos previstos para Sines em energia, centros de dados e baterias

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Projetos promovidos por empresas como GalpRepsolStart Campus e CALB poderão criar mais de 4.500 empregos diretos, reforçando o papel estratégico do polo industrial e logístico de Sines.

O polo industrial e energético de Sines prepara-se para receber mais de 25 mil milhões de euros em novos investimentos, distribuídos por projetos nas áreas da energiacentros de dadosbaterias para veículos elétricos e indústria química.

De acordo com dados divulgado pelo jornal Económico, no âmbito de um encontro empresarial realizado em Sines, estão atualmente identificadas cerca de 30 intenções de investimento, promovidas por 53 empresas ou consórcios provenientes de 10 países. Entre estes projetos, 13 têm estatuto de PIN (Projeto de Potencial Interesse Nacional).

Em termos de impacto no emprego, estima-se a criação de mais de 4.500 postos de trabalho diretos, a que se somam cerca de 6.900 trabalhadores temporários associados às fases de construção e implementação dos projetos.

Durante o encontro, a presidente da AICEP Global Parques (AGP), Isabel Caldeira Cardoso, destacou o potencial do território para atrair investimento industrial e tecnológico.

“Este é um pólo muito atrativo para os investidores: há terra, há utilidades e há acessibilidade aos mercados”, afirmou.

A responsável referiu ainda que existe um conjunto alargado de projetos em diferentes fases de desenvolvimento.

“Temos um grande pipeline de projetos. São os que estão já a instalar-se, os que já fizeram reservas, mas ainda não estão a produzir, e também intenções. Estes números são de hoje, amanhã serão outros”, sublinhou.

Segundo Isabel Caldeira Cardoso, Sines registou nos últimos anos uma forte procura para projetos de hidrogénio verde, mas parte dessas iniciativas acabou por não avançar.

“Percebemos que não é competitivo transportar hidrogénio para exportação. Serve sobretudo para descarbonizar unidades que estão ao lado”, explicou.

Em contrapartida, o crescimento da inteligência artificial tem impulsionado o interesse por centros de dados e por projetos ligados à cadeia de valor das baterias.

Entre os principais projetos previstos para Sines destaca-se a expansão da unidade petroquímica da Repsol, que representa um investimento superior a 2,2 mil milhões de euros, distribuído pelos projetos Alba (650 milhões)NextGen (1.100 milhões) e H2 (481 milhões).

Galp prevê também investir 1,2 mil milhões de euros em hidrogénio verde, além de 269 milhões de euros na produção de combustíveis sustentáveis.

Outro investimento relevante é o da empresa chinesa CALB, que prepara a instalação de uma fábrica de baterias para veículos elétricos, num projeto superior a 2 mil milhões de euros, com potencial para criar cerca de 1.800 empregos diretos.

Sobre este investimento, a responsável da AGP destacou o seu impacto industrial.

“É muito importante porque vai incorporar Sines na cadeia de valor das baterias automóveis e tem-nos trazido também alguns dos seus fornecedores para conhecerem a zona e ponderarem uma localização”, afirmou.

Entre os projetos previstos encontra-se ainda o do consórcio Madoqua, de origem luso-dinamarquesa-neerlandesa, que prevê investir mil milhões de euros na produção de hidrogénio e amoníaco verdes, com a criação de cerca de 100 postos de trabalho diretos.

Também a empresa dinamarquesa Topsoe pretende investir 110 milhões de euros numa fábrica de componentes para baterias, enquanto a espanhola Catalyxx planeia um investimento de 100 milhões de euros para produzir butanol verde, destinado à empresa francesa Arkema.

Entre os projetos de maior dimensão destaca-se ainda o Start Campus, um centro de dados em desenvolvimento em Sines, que prevê um investimento total de cerca de 9 mil milhões de euros, associado à crescente procura global por infraestruturas digitais e capacidade de processamento de dados.

Com estes projetos em preparação, Sines reforça o seu posicionamento como um dos principais polos industriais, energéticos e tecnológicos da Península Ibérica, atraindo investimentos internacionais em setores estratégicos para a transição energética e digital.

Foto: D.R

Augusta Serrano

Jornalista

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