Investimento visa retomar projeto na Linha do Alentejo após perda de fundos europeus; ligação será concluída até 2032 e contará com novas automotoras da CP
O Governo aprovou uma verba de 60 milhões de euros para viabilizar a eletrificação do troço ferroviário entre Casa Branca e Beja, um projeto que tinha ficado comprometido após a perda de financiamento europeu. A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, na sequência de um Conselho de Ministros realizado esta quinta-feira, durante a Ovibeja.
Em causa está a modernização, requalificação e eletrificação de um troço com cerca de 63,5 quilómetros da Linha do Alentejo, incluindo a instalação de sistemas de sinalização, controlo e telecomunicações. A infraestrutura atravessa os concelhos de Montemor-o-Novo, Évora, Viana do Alentejo, Alvito, Cuba e Beja.
O projeto tinha inicialmente uma dotação indicativa de 80,6 milhões de euros no âmbito do programa Alentejo 2030, mas esse valor foi reduzido para 20 milhões em dezembro, devido ao que foi descrito como um “baixo grau de maturidade” e ao facto de os procedimentos ainda estarem em fase preparatória.
Para colmatar a diferença, o Executivo decidiu manter os 20 milhões previstos e assegurar os restantes 60 milhões através de outras fontes, nomeadamente o Sustentável 2030 e o Fundo Ambiental. “Decidimos desbloquear 60 milhões para este projeto”, afirmou o primeiro-ministro.
A empreitada será executada em três fases — Casa Branca–Vila Nova da Baronia, Vila Nova da Baronia–Cuba e Cuba–Beja —, estando a conclusão global apontada para 2032.
Em março, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, já tinha indicado no Parlamento que o Governo preparava uma resolução para garantir o avanço da obra. Na mesma ocasião, referiu que decorrem contactos com a Comissão Europeia para integrar esta ligação no chamado “eixo de mobilidade militar”, permitindo estender a linha até à Base Aérea de Beja.
Além da intervenção na infraestrutura, foi também anunciada a afetação à Linha do Alentejo de três das 22 automotoras bimodo adquiridas pela CP – Comboios de Portugal à Stadler, num investimento global de 158 milhões de euros. Estas unidades deverão entrar em funcionamento entre janeiro e março de 2027.
Segundo explicou Luís Montenegro, as novas automotoras estão preparadas para operar tanto em modo diesel como elétrico, garantindo a continuidade do serviço durante o período de transição até à conclusão da eletrificação.
Augusta Serrano | jornalista


