Segunda-feira, Agosto 10, 2026

Linha do Alentejo avança com investimento de 270 milhões para futura alta velocidade Lisboa–Madrid

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Duplicação e modernização entre Poceirão e Bombel integra os trabalhos associados à futura ligação ferroviária entre as capitais portuguesa e espanhola. Projeto conta com 97,94 milhões de euros de financiamento europeu e reforça um corredor que serve as ligações a Évora e Beja.

Linha do Alentejo vai receber um investimento global de 270,67 milhões de euros na duplicação e modernização do troço entre Poceirão e Bombel, uma intervenção que integra os trabalhos associados ao desenvolvimento da futura ligação ferroviária de alta velocidade Lisboa–Madrid.

A empreitada foi adjudicada pela Infraestruturas de Portugal (IP) à ZAGOPE – Construções e Engenharia, S.A., segundo informação oficial do procedimento de contratação pública europeu.

O projeto beneficia de 97,94 milhões de euros de apoio financeiro da União Europeia, num custo elegível de 196,61 milhões. O financiamento público nacional elegível ascende a 98,67 milhões de euros.

Intervenção abrange 35,7 quilómetros

De acordo com a ficha oficial do projeto da Infraestruturas de Portugal, a operação tem uma extensão de 35,7 quilómetrose contempla a duplicação e modernização da via existente entre Poceirão e Bombel, na Linha do Alentejo, bem como intervenções na Concordância do Poceirão.

Estão igualmente previstos o aumento do comprimento útil das linhas nas estações de Poceirão, Pegões e Bombel, novos sistemas de sinalização e telecomunicações e trabalhos de eletrificação.

A estação de Pinhal Novo será também intervencionada, com o objetivo de aumentar a velocidade e a capacidade ferroviária e responder ao crescimento de tráfego esperado nas ligações a Espanha e nos serviços nacionais.

Linha estratégica para as ligações ao Alentejo

A importância da intervenção ultrapassa a futura ligação entre Lisboa e Madrid.

Documentação oficial do Ministério das Infraestruturas e Habitação identifica o troço Poceirão–Bombel como uma infraestrutura relevante para as ligações ferroviárias entre o norte e o sul do país e para o acesso aos portos de Sines e Setúbal.

O mesmo corredor suporta as ligações ferroviárias de passageiros entre Lisboa e a Península de Setúbal e o Alentejo Central, através de Évora, e o Baixo Alentejo, através de Beja.

A duplicação deverá permitir aumentar a capacidade de uma infraestrutura atualmente condicionada pela confluência de diferentes itinerários e pelo crescimento do transporte ferroviário de mercadorias.

Velocidade poderá atingir 200 km/h

O projeto contempla ainda condições para aumentar a velocidade máxima para 200 km/h nos comboios convencionais, contribuindo para a redução dos tempos de percurso nas ligações entre Lisboa e Évora, Elvas, Badajoz e Beja.

A intervenção Poceirão–Bombel assume também um papel no futuro eixo internacional. A Infraestruturas de Portugal incluiu expressamente a duplicação deste troço da Linha do Alentejo entre os trabalhos em curso relacionados com a futura ligação ferroviária de alta velocidade Lisboa–Madrid.

Segundo a IP, o calendário europeu atualmente estabelecido aponta para um tempo de viagem de cinco horas entre Lisboa e Madrid em 2030, passando para três horas em 2034, ano previsto para a conclusão da ligação ferroviária de alta velocidade entre as duas capitais ibéricas.

A modernização da Linha do Alentejo constitui, desta forma, uma das peças do corredor ferroviário que deverá reforçar simultaneamente as ligações nacionais à região e a conexão de Portugal à rede ferroviária espanhola e europeia.

Augusta Serrano – Jornalista

Fonte: Infraestruturas de Portugal, Ministério das Infraestruturas e Habitação e Portal Europeu de Contratação Pública

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