Dormidas aumentaram mais de 5% e os proveitos turísticos cresceram acima de 7% no primeiro quadrimestre de 2026, com destaque para o mercado espanhol e a aposta no enoturismo.
O Alentejo registou um dos desempenhos mais positivos do turismo nacional nos primeiros quatro meses de 2026, apresentando um crescimento de 3% no número de hóspedes, superior a 5% nas dormidas e mais de 7% nos proveitos globais. Os dados foram avançados ao Alentrium.pt por José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, que considera o balanço do primeiro quadrimestre “muito positivo” para a região.
Segundo o responsável, o Alentejo foi a região portuguesa com melhor desempenho no mercado nacional e a segunda melhor nos mercados internacionais, apenas ultrapassada pela região Norte em alguns indicadores.
“Foi um bom quadrimestre, com um crescimento de 3% em hóspedes e superior a 5% nas dormidas. No mercado nacional, a região apresenta o melhor crescimento. Nos mercados internacionais, apenas o Norte tem um resultado superior ao nosso. Nos proveitos, crescemos mais de 7%, ficando apenas atrás da Madeira”, afirmou.
Apesar de reconhecer que os dados dizem respeito a um período já ultrapassado do calendário turístico, José Manuel Santos sublinha que se trata dos indicadores oficiais mais recentes disponíveis e que permitem manter uma perspetiva otimista para o restante ano.
“Continuamos moderadamente otimistas na expectativa de 2026 ser mais um bom ano turístico para a nossa região”, acrescentou.
Entre os mercados internacionais, o destaque vai para Espanha, que registou um crescimento superior a 20%, resultado que o presidente da Entidade Regional de Turismo associa ao investimento promocional desenvolvido junto das regiões fronteiriças.
“Já no ano passado o Alentejo foi a única região do país a crescer no mercado espanhol. Esse resultado está diretamente ligado ao investimento que temos vindo a fazer, nomeadamente através de campanhas direcionadas para a Andaluzia e Extremadura”, explicou.
Além de Espanha, os mercados do Reino Unido, Alemanha, Países Baixos e Canadá também registaram evolução positiva, refletindo, segundo José Manuel Santos, o trabalho promocional desenvolvido ao longo dos últimos anos pela região em articulação com o Turismo de Portugal.
Em sentido contrário, o mercado dos Estados Unidos apresentou uma evolução negativa nos primeiros quatro meses do ano, contrariando a tendência de crescimento observada noutras regiões do país.
“O mercado norte-americano está a fraquejar no Alentejo. É uma situação que estamos a acompanhar atentamente porque continua a crescer noutras regiões, nomeadamente no Norte. Ainda estamos a tentar perceber exatamente as razões desta evolução”, referiu.
O responsável revelou ainda que irá deslocar-se aos Estados Unidos para preparar uma ação de promoção do destino Alentejo em Nova Iorque, agendada para julho.
Relativamente ao mercado brasileiro, José Manuel Santos esclarece que a recuperação ainda não atingiu os níveis registados antes da pandemia.
Segundo os dados apresentados, o Alentejo perdeu cerca de 30 mil dormidas provenientes do Brasil quando comparados os números atuais com os registados em 2019.
“Antes da pandemia estávamos próximos das 100 mil dormidas de turistas brasileiros. No ano passado ficámos perto das 70 mil. Estamos a trabalhar para recuperar gradualmente esse mercado”, afirmou.
Nesse sentido, o Alentejo participou recentemente nos eventos Vinhos de Portugal realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro e prepara-se para receber duas importantes convenções de operadores turísticos brasileiros, a Interep e a Braslua.
Uma das áreas onde o Alentejo continua a reforçar a sua posição é o enoturismo, considerado um produto estratégico para a valorização do território.
José Manuel Santos recorda que a região lidera desde 2024 uma estratégia coletiva de promoção do setor e destaca o reconhecimento internacional alcançado nos últimos meses.
“O enoturismo é uma prioridade para nós. Conseguimos captar eventos como a Cimeira Mundial do Enoturismo, reforçar a presença internacional e criar iniciativas inovadoras, como a experiência de enoturismo subaquático em Sines”, destacou.
O presidente da Entidade Regional de Turismo lembra ainda que o Alentejo recebeu recentemente, durante a Semana Mundial do Enoturismo realizada em Beja, uma certificação internacional atribuída pela Global Wine Tourism Organization e pela Biosphere, reconhecendo a região como destino comprometido com o enoturismo responsável.
“O Alentejo está a afirmar-se gradualmente como um grande destino internacional de enoturismo. É um trabalho contínuo, desenvolvido em cooperação com a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana e com os agentes do setor, que procura atrair mais visitantes e gerar maior valor para todo o território”, concluiu.
Os responsáveis do turismo regional aguardam agora pelos dados relativos ao primeiro semestre de 2026, que permitirão avaliar a evolução da atividade turística numa fase já mais representativa do ano.
Augusta Serrano – Jornalista


