Segunda-feira, Julho 20, 2026

José Manuel Santos defende o artesanato como motor do Alentejo e desafia o Governo a recuperar o espírito do PPART.

Partilhar

José Manuel Santos destaca o artesanato como um recurso estratégico para o turismo, o emprego e a valorização da identidade regional

30 de junho de 2026 – A Feira Internacional do Artesanato (FIA) Lisboa 2026 já abriu portas e decorre até 5 de julho, reunindo centenas de artesãos nacionais e internacionais naquela que continua a ser uma das maiores montras do artesanato e dos ofícios tradicionais da Península Ibérica. Nesta edição, o Alentejo e Ribatejo assumem o estatuto de Região Nacional Convidada, reforçando a promoção da identidade cultural e do património artesanal destes territórios.

A inauguração oficial realizou-se na segunda-feira, 29 de junho, na FIL – Parque das Nações, em Lisboa, e foi presidida pela Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Professora Doutora Maria do Rosário Palma Ramalho.

Ao longo de vários dias, a FIA reúne artesãos de diferentes pontos do mundo, proporcionando demonstrações ao vivo, experiências para toda a família e uma ampla oferta de produtos tradicionais e contemporâneos. O certame conta ainda com o apoio do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) a cerca de 160 artesãos.

Alentrium.pt  falou com o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e RibatejoJosé Manuel Santos, que sublinhou a importância estratégica da presença da região na maior feira de artesanato da Península Ibérica e na segunda maior da Europa.

“Este é o corolário do trabalho que começámos em 2024. O Alentejo nunca tinha estado presente na FIA e hoje somos a Região Nacional Convidada. É um enorme orgulho e uma oportunidade para promovermos aquilo que melhor representa a nossa identidade.”

Segundo José Manuel Santos, a FIA recebe cerca de 50 mil visitantes e constitui uma plataforma privilegiada para divulgar o património artesanal junto dos mercados nacional e internacional.

“O artesanato é um recurso tão importante como a gastronomia. Está profundamente ligado à nossa identidade e autenticidade. É importante para o turismo, para o emprego e para a coesão social e territorial.”

O responsável explicou que o crescimento da procura turística tem impulsionado também novos projetos ligados ao artesanato.

“Estamos a assistir ao aparecimento de novas lojas e de novos espaços de artesãos, porque existe uma clientela nacional e internacional que procura estas peças e valoriza este tipo de produtos.”

Nesta edição da FIA, o espaço do Alentejo e Ribatejo, com cerca de 80 metros quadrados, reúne aproximadamente 40 municípios e 58 artesãos, apresentando algumas das mais representativas expressões artesanais da região.

Entre elas encontram-se trabalhos em olariacerâmicabonecos tradicionaistapeçariatêxteis e outras produções ligadas às matérias-primas e saberes tradicionais do território.

José Manuel Santos revelou ainda que os primeiros dias da feira já registaram resultados positivos para os expositores.

“Os artesãos estão a vender. Esta é uma feira onde as pessoas não vêm apenas conhecer o artesanato; também compram. É um estímulo muito importante para quem vive deste setor.”

Na visão do presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, o artesanato continuará a assumir um papel central na estratégia de promoção turística da região, sobretudo nos mercados internacionais.

“O turismo do Alentejo acredita no artesanato como um ingrediente-chave da sua estratégia de promoção. Vamos continuar a integrá-lo nas nossas ações de divulgação porque representa uma das formas mais autênticas de comunicar o território.”

Questionado pelo Alentrium.pt sobre a presença da ministra na inauguração, José Manuel Santos aproveitou para defender um maior compromisso estratégico do Estado com o setor.

O responsável recordou o antigo programa PPART, criado na década de 1990, durante o Governo de Aníbal Cavaco Silva, considerando que esse modelo constituiu um exemplo relevante de apoio aos microempresários e aos artesãos portugueses.

“Os eventos são importantes, mas não chegam por si só. É necessário existir uma estratégia integrada de apoio ao artesanato. Gostaria que o Governo olhasse para este setor com maior interesse, porque ele é fundamental para os destinos turísticos, para o interior e para a preservação da nossa identidade.”

Apesar da evolução das técnicas e da crescente presença do artesanato contemporâneo, José Manuel Santos considera que esta continua a ser uma das expressões culturais mais fortes do país.

“Os tempos mudam, mas o artesanato continua a ser uma poderosa forma de expressão cultural e uma ferramenta essencial para promover o Alentejo e todo o interior de Portugal.”

FIA Lisboa 2026 prossegue até 5 de julho, e oferece aos visitantes um programa dedicado ao artesanato, à cultura, à gastronomia e às tradições de diferentes regiões de Portugal e de vários países.

Augusta Serrano – Jornalista

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas

A não perder

Relacionadas