Segunda-feira, Abril 20, 2026

Israel interceta flotilha humanitária com portugueses a bordo: Mariana Mortágua e atriz Sofia Aparício detidas.

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Marinha israelita interceptou embarcações a caminho de Gaza. Entre os detidos estão Mariana Mortágua, Sofia Aparício e Miguel Duarte. Presidente da República garante apoio consular.

A Marinha israelita interceptou esta quarta-feira, 1 de outubro, uma flotilha humanitária que se aproximava da Faixa de Gaza, detendo vários participantes, entre os quais três cidadãos portugueses: a deputada Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e o ativista Miguel Duarte.

A operação decorreu quando as embarcações se encontravam a menos de 150 quilómetros da costa de Gaza, numa zona marítima sujeita a bloqueio por parte de Israel. A bordo das embarcações seguiam mais de 500 pessoas de diversas nacionalidades, integradas na missão “Flotilha da Liberdade – Global Sumud”, cujo objetivo declarado era entregar ajuda humanitária e denunciar o bloqueio àquele território.

A informação da detenção foi inicialmente divulgada por Joana Mortágua, também dirigente do Bloco de Esquerda, através das redes sociais: “A Mariana e a Sofia já foram detidas por Israel. Perdemos contacto com os três membros da delegação”, escreveu.

Miguel Duarte, que seguia noutro navio da mesma flotilha, foi igualmente detido, conforme confirmou o dirigente bloquista Fabian Figueiredo em declarações à SIC Notícias.

Entretanto, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, publicou uma nota oficial garantindo apoio consular aos cidadãos detidos: “O Presidente da República confirmou junto do Governo que será assegurado, através da nossa Embaixada em Telavive, todo o apoio consular aos compatriotas detidos, como é de regra, e em particular quando implica titulares de Órgãos de Soberania, bem como todo o apoio ao regresso a Portugal”, lê-se no comunicado publicado no site da Presidência.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português apelou à atuação das autoridades israelitas no respeito pelos direitos dos detidos, pedindo a não utilização de violência e assegurando acompanhamento da situação por via diplomática.

Segundo fontes da missão humanitária, embarcações militares israelitas terão interferido com as comunicações e os sistemas de navegação de pelo menos duas das embarcações – os navios Alma e Sirius – antes da abordagem. Os organizadores da flotilha afirmam que o seu propósito era exclusivamente pacífico e humanitário, contestando a legalidade do bloqueio israelita e da interceção no mar internacional.

Do lado israelita, as autoridades alegam que a operação decorreu dentro do enquadramento legal que permite manter uma zona de exclusão marítima em torno da Faixa de Gaza, alegando razões de segurança. Israel já terá proposto transferir os bens de ajuda humanitária através dos canais oficiais.

A situação permanece em desenvolvimento, com diplomacias internacionais envolvidas e manifestações de preocupação por parte de organizações de direitos humanos.

Augusta Serrano

Jornalista

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