Intervenção na ponte da ER18 sobre o Tejo prevê um novo tabuleiro e o reforço dos pilares. A travessia, que liga diretamente o distrito de Portalegre a Vila Velha de Ródão, está vedada a pesados com mais de 3,5 toneladas desde setembro de 2025.
A Infraestruturas de Portugal (IP) lançou um concurso público de 12 milhões de euros, sem IVA, para reabilitar a ponte sobre o rio Tejo na ER18, uma ligação rodoviária entre Nisa, no Alto Alentejo, e Vila Velha de Ródão, na Beira Baixa.
A empreitada incide sobre a Ponte de Vila Velha de Ródão, localizada ao quilómetro 121+960 da ER18, e prevê a substituição integral do atual tabuleiro, mantendo e reforçando os dois pilares implantados no leito do Tejo e as estruturas de apoio existentes nas margens.
O procedimento estabelece um prazo de execução de 600 dias, estando a entrega de propostas aberta até às 17h00 de 29 de outubro.
Novo tabuleiro terá 10,4 metros de largura
A solução projetada prevê uma nova estrutura constituída por vigas metálicas e uma laje de betão armado.
Com a intervenção, o tabuleiro deverá passar dos atuais cerca de 8,7 metros para 10,4 metros de largura, mantendo uma faixa de rodagem de sete metros, distribuída por duas vias de circulação.
Estão igualmente previstos passeios e novos dispositivos de segurança rodoviária, incluindo sistemas de proteção destinados a motociclistas, assim como trabalhos de proteção das fundações dos pilares contra fenómenos de erosão.
A intervenção representa uma alteração profunda numa infraestrutura que assegura a continuidade da ER18 entre os dois lados do Tejo e uma ligação direta entre o norte do distrito de Portalegre e a Beira Baixa.
Investimento estava autorizado desde 2025
Os 12 milhões de euros agora colocados a concurso já estavam inscritos na programação financeira da Infraestruturas de Portugal.
A Portaria n.º 635/2025/2, de 10 de novembro, autorizou a empresa pública a assumir encargos plurianuais destinados a intervenções consideradas urgentes em várias obras de arte da rede nacional.
No caso da ponte sobre o Tejo, o diploma estabelece um investimento total de 12 milhões de euros, distribuído por quatro anos: 500 mil euros em 2026, cinco milhões em 2027, seis milhões em 2028 e 500 mil euros em 2029.
As despesas serão suportadas por verbas do orçamento da Infraestruturas de Portugal.
Pesados impedidos de utilizar a travessia desde setembro de 2025
A reabilitação surge num contexto de restrições à circulação que se mantêm há mais de um ano.
A Infraestruturas de Portugal determinou, a partir de 16 de setembro de 2025, a interdição da ponte aos veículos pesados com tara superior a 3,5 toneladas.
Na comunicação divulgada na altura, a IP indicou que os veículos ligeiros poderiam continuar a utilizar a travessia sem restrições, enquanto os pesados passaram a ter como percurso alternativo o IP2.
A empresa pública referia também que estava em desenvolvimento o projeto de execução para a “reabilitação integral” da infraestrutura, identificando 1887 como o ano a que remonta a ponte.
Obra obrigará ao encerramento temporário da ponte
A execução da empreitada terá também consequências para quem utiliza diariamente esta ligação.
A documentação do procedimento prevê inicialmente condicionamentos à circulação, seguindo-se uma fase em que será necessário encerrar totalmente a ponte ao trânsito rodoviário para permitir a intervenção no tabuleiro.
O período de interrupção integral será definido em articulação com a Infraestruturas de Portugal e, de acordo com a documentação da empreitada, não deverá ultrapassar 12 meses. Este período está incluído no prazo global de 600 dias previsto para a realização da obra.
Durante o encerramento, a alternativa rodoviária prevista será feita através do IP2, pela zona da Barragem de Fratel.
A concretização da empreitada permitirá intervir numa travessia histórica sobre o Tejo e numa ligação rodoviária com relevância territorial para Nisa e para o Alto Alentejo, particularmente no acesso à Beira Baixa.
Fontes: Diário da República — Portaria n.º 635/2025/2, de 10 de novembro; Infraestruturas de Portugal; documentação do procedimento da empreitada.
Augusta Serrano – Jornalista


