Grandes projetos lançados desde 2020 já representam mais de cinco mil milhões de euros. Pinheirinho, Terras da Comporta e novos empreendimentos residenciais e hoteleiros estão a ampliar a escala do investimento no litoral alentejano.
Os grandes projetos turísticos e imobiliários em desenvolvimento entre a Comporta e Melides representam já mais de cinco mil milhões de euros de investimento anunciado e o valor poderá aproximar-se dos nove mil milhões de euros se forem integralmente concretizados os planos previstos a longo prazo.
A estimativa resulta de um levantamento publicado esta sexta-feira, 2 de outubro, pelo Jornal Económico, que analisou os principais projetos lançados desde 2020 nesta faixa do litoral alentejano. O valor de nove mil milhões não corresponde, assim, a investimento já executado ou a uma nova decisão de investimento, mas ao potencial acumulado dos empreendimentos identificados e respetivos planos de desenvolvimento.
A dimensão é particularmente relevante nos concelhos de Grândola e Alcácer do Sal, onde se concentra uma parte significativa dos projetos turísticos, hoteleiros e residenciais de maior escala atualmente em desenvolvimento.
Entre os investimentos identificados encontra-se o Pinheirinho, em Melides, com cerca de 400 hectares. O levantamento atribui ao empreendimento da VIC Properties um investimento global de 1,7 mil milhões de euros, dos quais cerca de 300 milhões estão associados ao Six Senses Comporta.
A configuração deste último projeto está também documentada pela Six Senses e pelo promotor: prevê um hotel com 70 unidades de alojamento e 58 residências de marca, inseridos na propriedade do Pinheirinho. As residências já se encontram em comercialização e a construção está em curso, estando a abertura do hotel, resort e residências prevista para o quarto trimestre de 2028.
Segundo a informação divulgada pelo promotor, menos de 5% dos 400 hectares da propriedade deverá ser ocupado por construção.
Outro dos projetos com maior peso no levantamento é o Terras da Comporta, que integra os loteamentos da Torre, no concelho de Alcácer do Sal, e das Dunas, em Grândola, numa área total indicada de 1.367 hectares.
Quando o projeto foi anunciado, em 2022, foi apontado um investimento de 2,3 mil milhões de euros, podendo o desenvolvimento previsto a longo prazo atingir um potencial de seis mil milhões. Este valor deve, contudo, ser entendido como uma projeção associada ao desenvolvimento integral do empreendimento e não como investimento atualmente realizado.
O levantamento inclui ainda outros empreendimentos turísticos e imobiliários existentes nesta faixa da costa alentejana, alguns dos quais sem montantes globais de investimento publicamente definidos.
JLL tem 11 projetos entre Alcácer do Sal e Melides
A dimensão do mercado é também refletida nos dados fornecidos pela consultora imobiliária JLL ao Jornal Económico. Considerando a área entre Alcácer do Sal e Melides, a empresa tem atualmente 11 projetos em comercialização, cujo valor comercial agregado ronda os 350 milhões de euros.
De acordo com os dados avançados pela consultora, cerca de 50% dos compradores são portugueses. Os compradores europeus representam aproximadamente 40% e os provenientes da América do Norte e da América do Sul cerca de 10%.
Os números mostram igualmente que a procura nesta zona do litoral alentejano não assenta exclusivamente no mercado internacional, mantendo os compradores nacionais um peso significativo nos projetos atualmente comercializados.
A concentração de investimentos entre a Comporta e Melides está, desta forma, a assumir uma escala económica crescente. Os mais de cinco mil milhões de euros correspondem ao conjunto de investimentos identificados pelo levantamento nos projetos lançados desde 2020, enquanto a aproximação aos nove mil milhões depende da concretização integral dos planos de desenvolvimento projetados para os próximos anos.
Não existe, até ao momento, uma fonte documental única que consolide de forma independente a totalidade deste valor agregado, pelo que os nove mil milhões de euros devem ser lidos como a estimativa resultante do levantamento publicado pelo Jornal Económico e não como um montante oficialmente certificado de investimento executado no litoral alentejano.
Foto: ACA
Augusta Serrano – Jornalista


