Segunda-feira, Julho 20, 2026

Henrique Sim-Sim: “Não basta ficar nos gabinetes, é preciso estar com as pessoas”

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Vice-presidente da CCDR Alentejo e vereador do PSD considera preocupante a falta de informação sobre o futuro da escola e garante que voltará a questionar o executivo municipal

Feira de São João 2026 continua a decorrer em Évora, afirmando-se, uma vez mais, como um dos maiores acontecimentos populares do Alentejo. Inaugurado na passada terça-feira, 23 de junho, o certame reúne, ao longo de quase duas semanas, dezenas de expositores, concertos, atividades culturais, gastronomia, desporto e animação, numa edição subordinada ao tema “Évora: Capital Europeia ao Sul”.

A inauguração ficou igualmente marcada pela presença da Associação de Pais da Escola Básica do Chafariz d’El-Rei, que aproveitou a cerimónia para voltar a alertar para a situação do estabelecimento de ensino, encerrado desde a derrocada ocorrida no ano passado.

Alentrium.pt esteve presente e entrevistou Henrique Sim-Sim, vice-presidente da CCDR Alentejo e vereador do PSD na Câmara Municipal de Évora, que começou por destacar a importância da Feira de São João para a cidade.

“Estamos na inauguração da Feira de São João, um ex-líbris cultural da cidade de Évora. É importante que continue a afirmar-se, a desenvolver-se, a criar a sua própria identidade e a robustecer-se. Hoje existem muitos modelos de feiras e a nossa tem a sua singularidade. Este ano existem algumas particularidades devido às obras que decorrem no Rossio, mas precisamos de continuar a encontrar um caminho próprio e reafirmar a Feira de São João.”

Durante a entrevista, o Alentrium.pt assinalou que a cerimónia inaugural foi marcada por uma situação pouco habitual: a presença de crianças entre os quatro e os seis anos, acompanhadas pelos pais, a manifestarem-se com cartazes para chamar a atenção para a situação da Escola Básica do Chafariz d’El-Rei.

Questionado sobre essa manifestação, Henrique Sim-Sim considerou que a situação demonstra a preocupação das famílias.

“Não é uma situação habitual. Trata-se de uma escola onde ocorreu uma derrocada no ano passado e que continua sem solução. Os alunos foram deslocados para outros estabelecimentos de ensino e, segundo os pais, continuam sem as condições desejáveis. Também nos dizem que têm tentado dialogar com o município e que não têm conseguido. Existe uma ausência de comunicação que nos preocupa.”

O autarca explicou que tem acompanhado o processo juntamente com a Associação de Pais e alertou para a necessidade de encontrar rapidamente uma solução para o próximo ano letivo.

“Enquanto vereador do PSD temos acompanhado esta situação e mantido diálogo com os pais. Preocupa-nos o futuro, porque sabemos que no próximo ano letivo aquela escola não reunirá condições para funcionar. É preciso garantir às crianças uma educação tranquila, segura e dar estabilidade às famílias. A comunidade escolar está disponível para colaborar, assim como o agrupamento de escolas, mas é indispensável que exista diálogo por parte do município. Não basta permanecer nos gabinetes; é preciso estar junto das pessoas e resolver os seus problemas.”

Projeto continua por desenvolver

Questionado pelo Alentrium.pt sobre o ponto de situação da recuperação da escola e sobre a existência de projeto e financiamento, Henrique Sim-Sim afirmou que continua a faltar informação por parte do executivo municipal.

“Tenho acompanhado esta situação e reuni na semana passada com a Associação de Pais. O que aconteceu foi uma derrocada, os alunos foram deslocados para outra escola e continua por elaborar o projeto necessário para a recuperação do edifício.”

Relativamente ao financiamento, o vereador recordou que, na sua perspetiva, o município perdeu oportunidades de recorrer a programas de apoio.

“Assistimos anteriormente à perda de vários financiamentos na área da educação, como aconteceu com Santa Clara e com a Escola Secundária André de Gouveia. Também neste caso não foi encontrada uma solução enquanto existia o PRR. Trata-se de uma intervenção estrutural, estimada entre os 300 e os 400 mil euros, que poderia ter sido preparada para candidatura a financiamento.”

Segundo Henrique Sim-Sim, a principal preocupação prende-se atualmente com a falta de informação prestada à comunidade educativa.

“Os pais continuam sem saber o que está a ser feito nem quais serão as condições para o próximo ano letivo. O que defendemos é que seja desenvolvido rapidamente o projeto e encontrada uma linha de financiamento para que a escola possa voltar a servir o bairro. As escolas de proximidade são fundamentais para as famílias e para o acompanhamento das crianças.”

Confrontado pelo Alentrium.pt sobre as razões que poderão justificar o atraso no processo, tendo em conta que também integra o executivo municipal, Henrique Sim-Sim afirmou que a informação disponível continua a ser insuficiente.

“Acredito na boa-fé dos pais e aquilo que nos transmitem é que existe uma ausência total de comunicação.”

O vereador revelou ainda que o PSD irá voltar a levar o assunto à reunião de Câmara.

“Já colocámos questões há cerca de quinze dias, mas as respostas foram vagas. Reunimos na semana passada com a Associação de Pais para conhecer melhor a situação e vamos voltar a colocar estas questões na próxima reunião de Câmara. Queremos saber se existe ou não projeto, se existe ou não financiamento e quais são as soluções previstas para o próximo ano letivo.” Concluiu.

Recorde-se que, conforme o Alentrium.pt já noticiou, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, atribuiu o atraso na recuperação da Escola Básica do Chafariz d’El-Rei à falta de apoio financeiro do Estado e aos prazos da contratação pública.

O autarca afirmou que “não é aceitável que o Governo não apoie as câmaras municipais na recuperação de infraestruturas tão importantes como uma escola”, explicando que o Município teve de proceder a alterações orçamentais antes de lançar o concurso para a obra.

Carlos Zorrinho garantiu ainda que, apesar do atraso na requalificação, os alunos continuam a ter acompanhamento pedagógico adequado e rejeitou as críticas da Associação de Pais quanto à falta de diálogo, assegurando que já se encontrava agendada uma nova reunião com os encarregados de educação.

Augusta Serrano – Jornalista

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