Segunda-feira, Agosto 10, 2026

Grupo Nabeiro quer crescer fora de Portugal e atingir uma faturação superior a três mil milhões.

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Grupo Nabeiro-Delta Cafés inaugurou em Campo Maior o maior investimento de sempre realizado no seu complexo fabril, num projeto de 20 milhões de euros que duplica a capacidade de produção da unidade, passando de 100 para 200 toneladas por dia.

A nova fase industrial inclui armazém, silos para armazenamento de café verde, um torrador de grande capacidade, moinhos industriais, linhas de embalamento e produção de cápsulas, bem como um parque fotovoltaico.

Em declarações ao Jornal Económico, Rui Miguel Nabeiro, CEO do grupo, assumiu uma nova ambição estratégica: colocar a Delta no top 10 mundial do setor nos próximos 15 anos. Atualmente, o grupo ocupa a 20.ª posição mundial, depois de ter estado no 22.º lugar há dois anos.

“Temos de crescer cinco vezes mais a nossa dimensão, o que significa ter uma faturação acima dos três mil milhões de euros”, afirmou Rui Miguel Nabeiro ao JE. Em 2025, o grupo registou uma faturação de 650 milhões de euros, esperando atingir 700 milhões este ano.

O crescimento deverá passar pela expansão internacional e por aquisições. “A Delta não vai ser comprada. A Delta vai comprar fora de Portugal”, sublinhou o gestor, afastando cenários de venda e reforçando a estratégia de consolidação externa.

Europa surge como prioridade, com especial atenção a Espanha, mercado que o grupo pretende reforçar. A empresa tem também presença relevante em França, Luxemburgo e Suíça, onde já fatura cerca de 30 milhões de euros e adquiriu recentemente um distribuidor.

As exportações representam atualmente cerca de 35% da faturação do grupo, peso que deverá aumentar nos próximos anos, reduzindo a dependência do mercado português.

Para Rui Miguel Nabeiro, o objetivo passa por manter uma expansão “calculada, bem pensada”, através da aquisição de empresas com afinidade estratégica e cultural com o grupo.

A inauguração do investimento em Campo Maior contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, do chairman João Manuel Nabeiro, de Ivan Nabeiro e de Rui Miguel Nabeiro.

Apesar da duplicação da capacidade produtiva, o CEO admite que a modernização terá de continuar. “Temos de continuar a modernizar e a dotar a fábrica, passo a passo, daquilo que forem as nossas necessidades”, afirmou.


Augusta Serrano | Jornalista

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