Exposição apresenta peças cerâmicas utilizadas ao longo de vários séculos e destaca o trabalho de conservação desenvolvido pela Fundação da Casa de Bragança
O património arqueológico do antigo Real Convento das Chagas de Cristo, em Vila Viçosa, está em destaque numa nova mostra que reúne peças cerâmicas recuperadas durante trabalhos de investigação, conservação e inventariação promovidos pela Fundação da Casa de Bragança. A apresentação da exposição decorreu esta sexta-feira, numa sessão acompanhada pelo Alentrium.pt.
Fundado em 1514 por D. Jaime, IV Duque de Bragança, o Real Convento das Chagas de Cristo assumiu um papel relevante na história da Casa de Bragança, servindo como local de recolhimento e sepultura de familiares da linhagem ducal, bem como de membros da alta nobreza feminina. Durante o reinado de D. João V, o convento chegou a acolher cerca de 60 freiras.
A exposição agora apresentada permite o regresso simbólico ao local de peças que foram utilizadas no convento e posteriormente identificadas durante intervenções arqueológicas. A iniciativa resulta de um trabalho continuado de investigação, conservação e valorização patrimonial, permitindo uma melhor compreensão do quotidiano vivido naquele espaço religioso ao longo dos séculos.
Os materiais recolhidos abrangem um período cronológico compreendido entre os séculos XVII e XX. Após a sua recuperação, foram sujeitos a processos de tratamento, armazenamento e estudo arqueológico, com o objetivo de preservar e interpretar o espólio encontrado.
De acordo com os responsáveis pelo projeto, muitas das cerâmicas encontravam-se bastante fragmentadas e provinham de níveis de entulho. Por esse motivo, foi efetuada uma seleção das peças mais relevantes, tendo em consideração o valor arqueológico dos respetivos contextos de proveniência.
A maior parte das peças expostas está associada ao quotidiano conventual, especialmente ao serviço de mesa. Entre os objetos identificados encontram-se pratos, tigelas, potinhos e outros recipientes utilizados pelas religiosas e pela comunidade ligada ao convento.
Os estudos realizados permitiram igualmente identificar formas de armazenamento e confeção de alimentos. Algumas das peças apresentam marcas de fogo, testemunhando a sua utilização em contexto culinário.
O espólio integra ainda materiais relacionados com práticas de higiene desenvolvidas no interior do convento, como é o caso dos penicos, contribuindo para um conhecimento mais aprofundado das rotinas diárias das comunidades religiosas que habitaram o espaço.
A mostra constitui um novo contributo para a valorização do património histórico de Vila Viçosa e para a divulgação do trabalho de investigação arqueológica desenvolvido pela Fundação da Casa de Bragança, aproximando o público de objetos que ajudam a contar séculos de história conventual e da própria Casa de Bragança.
Augusta Serrano | Jornalista


